Pesquisa: 9 a cada 10 líderes mundiais afirmam não estar prontos para a inovação

Por Igor Lopes | 17 de Abril de 2015 às 12h26

Uma pesquisa divulgada ontem (17) pela EMC revelou dados importantes sobre a capacidade de inovação dentro das corporações. "The Information Generation: Transforming the Future" é um estudo feito pelo IFF (Institute for the Future) e Vanson Bourne Institute, e encomendado pela gigante da tecnologia, para entender como a sociedade em geral está lidando com as crescentes demandas digitais e geração de dados. 3600 líderes empresariais, entre diretores e executivos de 18 países, foram entrevistados e os resultados são, no mínimo, curiosos. Por um lado, o estudo comprova uma grande dificuldade das empresas acompanharem esse barco; por outro, mostra que o campo ainda é aberto e oferece muitas possibilidades de negócios.

Redefinindo atributos de negócios para o futuro

Como já era esperado, quase todos os líderes (96%) acreditam que as novas tecnologias mudaram definitivamente as regras dos negócios, e 93% dizem que isso está redefinindo as expectativas do cliente. Hoje, é preciso fornecer um acesso mais rápido aos serviços, ofertar conectividade 24/7, em qualquer lugar e a partir de qualquer dispositivo, além de proporcionar uma experiência de uso mais personalizada. "Quem está aprendendo a lidar com essa avalanche de informações está garantindo vantagens e transformando de maneira disruptiva a evolução das organizações, do mercado e das pessoas", afirma Rodrigo Gazzaneo, gerente do Executive Briefing Center da EMC. Como se esse avanço já não fosse rápido demais, os entrevistados concordam, em sua maioria, que esse processo se acelerará ainda mais na próxima década.

Embora os líderes concordem que esses atributos têm alta prioridade e impactam diretamente seus negócios, muito poucos se dizem preparados para enfrentar essa nova realidade: apenas 12% conseguem perceber bem cedo as novas oportunidades no mercado; 9% se dizem capazes de inovar com agilidade; 14% acreditam que suas empresas demonstram transparência e confiabilidade; 11% dizem oferecer experiências personalizadas e exclusivas para os seus clientes e 12% funcionam em tempo real. "A mensagem para o mercado é uma só: as organizações precisam se mover, e mover rápido!", alerta Gazzaneo.

Durante a apresentação da pesquisa para um grupo de jornalistas, em São Paulo, o executivo da EMC citou o exemplo da John Deere, empresa especializada em automação para o plantio nos EUA, apontada como um case de sucesso do uso da tecnologia de forma disruptiva e a favor do seu negócio. Com a tecnologia aplicada ao maquinário no campo, ela consegue levar ao operário várias informações sobre clima, época do ano e microvariações do solo em tempo real. Tudo é sincronizado com os diversos equipamentos e, assim, há um melhor balanceamento de distribuição de sementes. Em resumo, o plantio é automatizado e feito na escala de produção necessária para o cliente. "Eu olho para esse exemplo da John Deere com desejo. Imagine isso no Brasil? É importante ver o ganho de produtividade que podemos ter com a tecnologia embarcada e o uso correto das informações", diz o executivo.

Gerando dinheiro com a informação

Por volta de 2020, mais de 7 bilhões de pessoas em no mínimo 30 bilhões de dispositivos terão criado 44 zettabytes de dados, segundo o Gartner. Isso está levando as pessoas a um mundo em que quase tudo estará ligado a dados. Embora as empresas saibam que podem lucrar com o big data, 40% delas admitem não saber como.

Alguns números confirmam isso: 70% sabem que esses dados contêm informações valiosas, mas apenas 30% são capazes de lidar com elas em tempo real; 52% assumem não usar dados com eficiência ou estar soterrados pela avalanche de informações; e somente 24% se consideram "muito bons" em transformar os dados em informações e ideias úteis.

"Se o potencial é grande e as empresas não conseguem pistas do que fazer para mudar, então o desafio é enorme. Poucas estão lidando bem com essa oportunidade hoje. Em outras palavras, o campo está aberto. Quem conseguir avançar nessa meta vai ter vantagens", afirma Rodrigo. "As empresas deveriam ter uma célula no modelo startup. Essa célula vai inovar, pegar novas tecnologias e tentar descobrir o que fazer para que o ambiente de informação e de dados internos seja aproveitado a favor do negócio", sugere.

A venda de informações

A maneira de lidar com os dados também deve evoluir, de acordo com a pesquisa. Quanto mais o consumidor colocar seus dados disponíveis para as empresas, mais benefícios ele vai receber em troca. Por isso, o estudo também complementa que a preocupação com a privacidade ganhará força até 2024. "Informação vai virar valor. Na verdade, ela já é: todo serviço que usufruimos gratuitamente, sabemos que no fundo nós somos o produto. Isso vai ser mais verdadeiro do que nunca", explica Gazzaneo. Algumas empresas já se ligaram nessa onda. Uma delas é a TCGA (The Cancer Genome Atlas), que reúne dados clínicos disponíveis para pesquisadores no estudo do câncer ("Quer informação mais valiosa que o seu DNA?", pergunta Rodrigo). Um outro exemplo é a Datacoup, um marketplace especializado em vender os "rastros" que você deixa enquanto navega na internet. Cada curtida no Facebook, cada post no Twitter, cada comentário em um portal é convertido em dinheiro num comércio entre empresa e potencial cliente."Nesse mundo, o valor vai se deslocar do produto para a informação. A Estação Espacial MIR já atualiza peças com impressora 3D, eles criaram um 'teleporting' do material, mandando a informação e fabricando o necessário lá mesmo. A recomendação é uma só: transforme-se para atender essas demandas. É preciso ter um plano. O Brasil está bem no ranking, se comparado à evolução dos dados em outros países. É um país emergente e está pensando grande, mas fica o alerta: quem quiser ser player nesse futuro da informação precisa se mover", conclui.

Acesse a pesquisa completa (em inglês).

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