O valor dos dados em um mundo impulsionado por informações

Por Colaborador externo | 23.10.2015 às 07:47

Por Steve Todd*

Até 2024 teremos uma economia da informação totalmente estabelecida, na qual os dados são cruciais para empresas que estão buscando encontrar novas oportunidades de vantagem competitiva de maneira preditiva. Informações com base em padrões serão vendidas, doadas e comercializadas em trocas abertas.

Os mercados de dados facilitarão a transferência de dados entre silos com maior fluidez e as pessoas começarão a negociar seus próprios dados. Já estamos observando vários sinais disso, mas é apenas o começo. Nesse cenário, os dados de sua empresa são importantes — isso é óbvio. Mas qual o grau de importância deles? Como você pode medir o valor de tais dados?

Hoje vamos falar sobre “dados como a nova moeda” e tentar estabelecer um preço. Normalmente seus dados valem o que alguém está tentando pagar por eles. Essa visão transacional simples não conta a história inteira.

Conforme as organizações correm para conhecer e avaliar as oportunidades e os problemas associados ao nosso mundo cada vez mais impulsionado por dados, as empresas estão se deparando com a necessidade de medir com maior precisão o verdadeiro valor desses dados.

Mas não tema, nem tudo é cruel e obscuro. Empresas inteligentes vão tomar notas e se preparar para o futuro por meio da “ arquitetura focada em valor” — entender e criar processos de precificação de negócios e TI na empresa, revelando o verdadeiro valor dos dados. Vejamos alguns exemplos de novas atividades de avaliação de dados que estão sendo executadas pelas organizações hoje em dia.

Os dados passam a ser seu novo produto: um relatório recente sobre inovação no mercado de Big Data, feito pela EMC e pela Capgemini, revelou que 63% dos respondentes consideram que a monetização dos dados pode eventualmente se tornar tão valiosa para as organizações deles quanto seus respectivos produtos e serviços existentes. Isso pode dizer muito sobre o potencial do Big Data — empresas podem começar a gerar mais a partir do valor contido nos dados do que a partir do valor do produto.

A Babolat, fabricante francesa de raquetes de tênis, fabrica a Babolat Play, uma “raquete inteligente” que gera e coleta dados sobre o desempenho do jogador em quadra. Ao criar um produto inteligente, a Babolat deu o primeiro passo para agregar o valor contido nos dados. Esses dados podem se tornar um fluxo de receita totalmente novo. A Babolat pode, por exemplo, vender esses dados para desenvolvedores de aplicativos de novos produtos e experiências de usuário, ou vender os dados para data mining em organizações de pesquisa esportiva. A raquete de tênis pode ser vendida uma vez, mas os dados produzidos por ela têm potencial infinito de monetização.

Precificação de dados para o pior cenário possível: violações cibernéticas em grande escala estão se tornando extremamente frequentes, resultando em grandes perdas financeiras para várias empresas. Como resultado, as apólices de seguros para dados estão se tornando uma parte necessária dos negócios.

Trabalhando em conjunto com os segurados, as empresas de seguros de dados precisam definir um preço para um conjunto de dados que não apenas reflita o valor dos dados para a empresa segurada, mas que também leve em consideração a diversidade de fatores que acontecem em situações de violação de dados. Notificações para clientes, compensações e outros custos como relações públicas para controle de danos devem ser levados em consideração no preço do seguro.

Os departamentos CyberEdge da AIG, Privacy and Network Security da ACE e Cyber & Technology da Lockton oferecem às empresas coberturas em caso de uma violação que resulte nos efeitos diversos de uma violação de dados.

Dados em um caso de falência digital: a Caesars Entertainment Operating Co., que controla o Caesars Palace, Caesars Atlantic City e Harrah’s Reno, além de uma dúzia de outras propriedades regionais, entrou com o pedido de falência no início do ano. O mais interessante é que o ativo individual mais valioso que está sendo disputado é o Caesar’s Total Rewards Loyalty Program, o programa de fidelidade dos clientes da empresa.

Repleto de Big Data e construído durante os últimos 17 anos, os rumores é de que ele tem os dados de mais de 45 milhões de clientes. Os credores avaliam que esses dados valem cerca de US$ 1 bilhão — um número e tanto. Ele ultrapassa o valor de qualquer bem físico da Caesar em Las Vegas, o que dá uma boa perspectiva em relação ao valor dos dados. Também dizem que o programa equivale a 17% do valor total de todos os ativos operacionais da Caesar’s. Como o setor de jogos de azar não tem nenhum tipo de acordo sobre políticas e práticas de precificação de dados, o valor do programa será contestado na justiça e pode resultar em vereditos interessantes em relação à precificação de dados.

Transações de dados; fusões e aquisições: agora os dados são um dos principais ativos buscados pelas empresas em fusões e aquisições, em alguns casos mais que pessoal, propriedade intelectual ou espaço físico. Na recente aquisição do site Lynda.com pelo LinkedIn, provavelmente os dados representaram o maior ativo obtido mediante o preço pago pela aquisição.

Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, ressaltou que a ampla biblioteca de vídeos premium do site Lynda.com foi um motivo imprescindível para a compra da empresa, o que significa que a ferramenta estava em busca dos ativos de dados do Lynda.com para aumentar sua rede profissional. Do valor de US$ 1,5 milhão, é provável que uma parcela significativa tenha sido direcionada para a compra dos ativos de dados de vídeo.

A economia da informação para um mundo melhor: O TCGA (Cancer Genome Atlas, ou Atlas do Genoma do Câncer) tem como objetivo desenvolver novos focos farmacêuticos e de diagnóstico para o câncer ao facilitar o compartilhamento de dados genéticos. Essa colaboração entre o NCI e o National Human Genome Research Institute, dos Estados Unidos, procura codificar os dados genômicos para que os elementos de dados comuns, com base em padrões, possam ser compartilhados por meio de uma infraestrutura de código aberto.

Para alcançar o sucesso na economia da informação, qualquer organização precisa colocar os dados no núcleo de tudo o que fazem diariamente. As empresas precisam priorizar a precificação dos dados de conteúdo técnico e comercial em toda a organização. Elas precisam integrar isso em suas estratégias comerciais mediante o desenvolvimento de ferramentas para precificação e de políticas e serviços para a aquisição ou venda de dados. Para dar o salto e chegar neste novo mundo, as empresas precisam continuar focadas em aprimorar a capacidade de perceber ideias impulsionadas por dados, por meio do reconhecimento preditivo de novas oportunidades.

Algumas startups e organizações tradicionais já estão fazendo avanços nessa área. Para as outras, ainda não é tarde. Mas conforme a economia da informação adquire sua forma nos próximos anos, os que andarem muito devagar não sobreviverão. A corrida começou, não fique para trás.

*Steve Todd é pesquisador e vice-presidente de estratégias e inovação na EMC