O Big Data é o que você precisa para o Natal

Por Colaborador externo | 22.12.2016 às 22:10

Por Mauricio Andrade de Paula*

“Então é Natal, e o que você fez?...” – assim começa a música de Cláudio Rabello, interpretada na voz de Simone, falando sobre uma das principais datas para o varejo brasileiro, que este ano acontece em meio a uma fase complicada do nosso país, em que a recuperação política e econômica ainda são uma incógnita. Com expectativa de uma queda de 6% nas vendas de fim de ano em relação a 2015, o varejo se prepara para um Natal mais magro, exigindo conhecimento do mercado, excelência operacional e capacidades avançadas de encantamento dos clientes para quem não quer fechar o ano no vermelho. Apesar de muito conhecida, a resposta para esses desafios ainda continua, em sua maior parte, no campo conceitual: o OmniChannel ou MultiCanalidade, como se diz por aqui.

Segundo pesquisa recente realizada pela Boston Retail Partners, órgão de pesquisa americano especializado no setor varejista, 71% dos varejistas dos EUA ainda não têm um planejamento estratégico formal voltado para a integração de canais. A pesquisa foi realizada nos 500 maiores varejistas Norte-Americanos, e mostra como o varejo pode evoluir nessa questão. Se nossos coirmãos americanos ainda têm essa dificuldade, imagine a realidade em solo brasileiro.

Todavia, o sucesso floresce exatamente neste tipo de situação: se o mercado apresenta tal lacuna, é exatamente nesse espaço que varejistas inovadores devem atuar. O primeiro passo é entender que um bom processo de multicanalidade é derivado do estudo do consumidor, entender os hábitos de compra, buscas/interesses pessoais e geolocalização/movimentação do cliente são formas de mapear seu modus operandi, derivando uma série de estratégias e ações que melhorem vendas, satisfação, operação e assim por diante. Vale lembrar que o conhecimento relacionado a experiência do cliente pode ir muito além da estratégia de loja, passando por questões logísticas e operacionais mais amplas que produzem grande diferença no resultado final.

Caso prático disso, o e-commerce Wine.com, maior varejo online de bebidas dos EUA, mapeou os dados dos seus consumidores, entendendo qual a preferência de cada região, oferecendo ofertas personalizadas para cada consumidor em vários canais, envolvendo redes sociais, site de compra e buscadores. Além da oferta, o Wine.com reorganizou seu estoque a partir das preferências regionais, reduzindo a ruptura nos pontos de venda, tendo o produto certo, em quantidade certa, no local certo, na hora certa. O resultado final foi um aumento de 15% das vendas totais.

E o Natal? O Natal, como toda data comemorativa, cria um pico de consumo e geração de dados, momento em que milhões de pessoas buscam informações sobre seus desejos de consumo antes de realizar as compras efetivamente. Se você conta com o mínimo de infraestrutura analítica, é hora de colocar suas capacidades em prática, gerando conhecimento sobre seu cliente e seus processos como um todo. A partir do conhecimento do hábito dos consumidores, você pode estabelecer uma estratégia de negócio mais sólida, baseada em dados e não em crenças ou falsos paradigmas, que irão apontar, por exemplo, para onde cada mercadoria deve ir, quando e em que quantidade, respostas importante de algumas perguntas de negócio que operam em um país de dimensões continentais como o Brasil, onde cada região tem seus costumes e forma peculiar de consumo no natal.

O objetivo final é garantir que sua estratégia de mercado permita que seu cliente sinta-se atentido e satisfeito, realizando cada parte/interação do processo de compra/venda no canal de maior conveniência, independentemente onde a operação começa ou onde será finalizada. Seu cliente pode comprar via website e retirar a mercadoria na loja? O cliente foi até a loja física para experimentar o produto mas não quer carregar até seu domicílio? Ou quando chegou na loja física não achou o produto? Porque não fazer a conclusão da venda e mandar diretamente para sua casa? O carrinho de compras ficou parado por muito tempo ou foi abandonado? Quais foram os motivos, quais ações vão ser tomadas? Essas são perguntas de negócio corriqueiras cujas respostas podem fazer toda a diferença nos resultados do seu natal.

Para os varejistas, fica o conselho de pensar não apenas como aproveitar ao máximo um feriado, data festiva ou qualquer outro gerador de pico no consumo, mas enxergar o quadro completo: como usar todas as informações disponívies para garantir que todas as funções empresariais atuem em harmonia, como uma boa música exige: “Então é Natal, e o que você fez?...”

*Mauricio Andrade de Paula é especialista de Varejo e Big Data da Teradata para América Latina.