O que vem primeiro: inovação ou capacidade de análise?

Por Colaborador externo | 28 de Julho de 2014 às 06h05

Por Carlos Salvador*

Descobertas recentes sugerem que o big data (termo que descreve grandes volumes de dados) é muito mais valioso do que muitas pessoas imaginam. Segundo estudo de consultoria de mercado, as empresas com capacidades de análise avançadas têm duas vezes mais chances de estar no primeiro quartil de desempenho financeiro dentro dos seus setores; cinco vezes mais chances de tomar decisões mais rapidamente do que seus concorrentes; três vezes mais chances de executar decisões conforme planejadas; e duas vezes mais chances de usar dados frequentemente ao tomar decisões.

Essas são todas notícias boas, e a pesquisa, que contou com a colaboração de 400 executivos, faz uma correlação direta entre os esforços de análise de big data e resultados financeiros. No entanto, traz à tona algumas perguntas: como uma organização pode se tornar líder em capacidade de análise? O tipo de organização que suporta uma cultura avançada de análise seria mais propenso a estar à frente dos seus concorrentes, visto que sua direção tende a ser mais progressista em várias frentes, e não apenas no big data?

O detalhe dessa questão é que não se pode simplesmente despejar um programa de analytics ou um conjunto de soluções de big data do topo da organização (ou deixá-lo na mão de um cientista de dados) e esperar ser impressionado com clareza e insights de resultados repentinos. Se uma organização é disfuncional, com muitos silos e feudos, ou tem uma direção engessada e pouco inspirada, todo o big data do mundo não será capaz de aumentar seu quociente de inteligência.

O sucesso na análise em big data requer uma mudança na cultura da organização, e na maneira como ela aborda problemas e oportunidades. A empresa precisa estar aberta para a inovação e mudança. E, como Pearson e Wegener apontaram, "você precisa integrar o big data profundamente à sua organização. É a única maneira de garantir que a informação e os insights sejam compartilhados ao longo de departamentos e funções. Isso também garante que a empresa inteira reconheça as sinergias e os benefícios de escala que uma capacidade de análise bem concebida é capaz de oferecer".

Pearson e Wegener, autores de "Brain and Company", também indicam as seguintes características dos líderes em big data estudados por eles:

Escolha o "ângulo certo de entrada": Há muitas áreas do negócio que podem se beneficiar da análise de big data, mas apenas algumas áreas chave poderão realmente impactar os negócios. É importante focar os esforços de big data nas questões certas.

Comunique a ambição do big data: Deixe claro que a análise de big data é uma estratégia que tem o comprometimento total da direção, e que é parte fundamental da estratégia da organização. Mensagens que precisam ser comunicadas: "Abraçaremos o big data como uma nova forma de se fazer negócios. Iremos incorporar análise avançada e insights como elementos fundamentais de todas as decisões críticas". E, acrescentam os coautores, "a alta direção também precisa responder à pergunta: Para quê? Como o big data vai melhorar nosso desempenho enquanto empresa? No que a empresa vai focar?".

Venda e catequize: Vender big data é um processo de longo prazo, e não de apenas um ou dois anúncios feitos em reuniões de equipe. "As organizações não mudam facilmente e o valor da análise pode não ser aparente para todos, portanto os líderes seniores precisam convencer as pessoas do valor do big data em todas as instâncias", advertem os autores. Os líderes em big data, Pearson e Wegener observam, aprenderam a tirar proveito das ferramentas que têm à disposição: " eles definem donos e patrocinadores claros para as iniciativas de análise. Eles oferecem incentivos para comportamentos impulsionados por análise, garantindo, assim, que os dados sejam incorporados em processos para a tomada de decisões importantes. Eles criam metas para melhorias op eracionais ou financeiras. Eles trabalham duro para estabelecer o impacto causal do big data no atingimento destas metas".

Encontre um "lar" organizacional para a análise de big data: Uma tendência comum percebida entre líderes de big data é que criaram um lar organizacional para sua capacidade de análise avançada, "muitas vezes um Centro de Excelência supervisionado por um executivo-chefe de análise", de acordo com Pearson e Wegener. É aqui que temas como estratégia, coleta e propriedade dos dados ao longo das funções de negócios têm um papel importante. As organizações também precisam planejar como gerar insights, e priorizar oportunidades e a alocação do tempo dos cientistas de análise de dados.

Existe uma percepção e a esperança de que adotar uma cultura de análise dos dados irá abrir novos caminhos para a inovação. Mas muitas vezes é necessário um espírito inovador para abrir caminho para a análise dentro das empresas.

*Carlos Salvador da Informatica Corporation.

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