O Software Livre reformulando a velocidade de inovação

Por Boris Kuszka | 27 de Fevereiro de 2014 às 15h06

Vamos aos fatos: empresas como Google, Facebook, Amazon e Twitter não existiriam se não fosse o poder de inovação do Open Source. Praticamente todas as novas empresas de tecnologia que surgiram na última década se baseiam em Open Source para conseguir se sobressair no mercado. Tecnologias como Big Data e Cloud Computing não existiriam sem Open Souce. Deixem-me explorar isso um pouco.

No outro artigo que escrevi para o Canaltech (Computação em Nuvem: como adotá-la sem ressalvas?), falei sobre como o medo de ficar preso a um fornecedor, o terrível lock-in, impulsionou a criação do OpenStack foundation quebrando as barreiras entre as empresas e reunindo mais de 850 organizações e mais de 9.500 membros individuais de 100 países diferentes. O OpenStack tem uma velocidade de inovação, criação de padrões e funcionalidades, com que nenhuma empresa sozinha jamais sonharia. Os grandes fornecedores de cloud baseiam-se quase todos em Open Source como o motor da infraestrutura que fornecem para seus clientes e as razões vão desde custo, evitar lock-in, se adequar a padrões de velocidade de reação a normas governamentais e segurança.

Quanto ao Big Data, vale a pena explorar um pouco mais, pois é um dos principais focos dos CIOs até 2017, de acordo com os analistas de mercado. Antes de mais nada, uma definição: Big Data não se refere a grandes quantidades de dados, mas ao conceito de reunir dados estruturados, aqueles que podem ser armazenados em Bancos de Dados, e dados desestruturados, ou seja, arquivos de áudio, vídeo, informações que estão espalhadas em sites sociais ou em sites de notícias, fotos, câmeras de segurança ou arquivos em geral. Conseguindo reunir todos esses dados, que normalmente são de um volume gigantesco (daí o termo “Big Data”), passa-se a fazer a análise desses dados para prever tendências de consumo, lançamentos de produtos, e até quem sabe, em um futuro próximo, prever atos de vandalismo e terrorismo como o seriado de TV Person of Interest explora de forma bem interessante.

Todas as ferramentas mais em voga e que evoluem com maior velocidade para tratar do Big Data são baseadas em Open Source: o Hadoop, por exemplo, é o motor que consegue quebrar uma tarefa de análise de dados em centenas ou mesmo milhares de computadores, permitindo que essa análise seja efetivamente feita. O Hadoop é utilizado por exemplo no Twitter, para determinar os “Hot Topics & Trends”. O Ebay o utiliza para otimizações de procura, o LinkedIn para a procura do “People You May Know”, e assim por diante. Mesmo implementações proprietárias dos grandes fabricantes de hardware/software utilizam o hadoop como um dos componentes. Bancos de dados específicos para tratar de Big Data são baseados em Open Source – um dos maiores, o mongoDB (alusão a “humongous”, gigantesco) é um exemplo.

Falando em tendências de TI, projetos de integração de sistemas (que pouco tempo atrás chamávamos de SOA ou Service Oriented Architecture), tradicionalmente cobertos por ferramentas proprietárias, estão cada vez mais sendo substituídos por ferramentas Open Source. O Camel, do Apache Foundation, por exemplo, oferece centenas de conectores (conector é como se chama o pedaço de software que se integra com uma aplicação legada), enquanto vemos apenas algumas dezenas de implementações proprietárias. E a razão é simples: a forma como o OpenSource é desenvolvido naturalmente provê funcionalidades que, para uma implementação proprietária, tem pouco volume e não justifica o desenvolvimento. Por que fazer um conector para um ERP desenvolvido em MUMPS, para dar um exemplo bizarro, se apenas 10 pessoas no mundo o utilizariam? No caso do Open Source, se uma dessas 10 pessoas desenvolve o conector e retorna o código para o projeto, as outras 9 podem utilizá-lo, e melhorá-lo, retornando novamente para o projeto, e assim por diante.

O círculo virtuoso do Open Source permite que funcionalidades consideradas de pouco valor comercial pelas empresas que desenvolvem software proprietário estejam presentes em opções Open Source. Permite que funcionalidades ainda não popularizadas e que ainda estão sendo avaliadas pelas empresas de software proprietário surjam bem antes nas versões Open Source. Permite que a inovação chegue antes, estabeleça padrões, crie mais opções, e evita ficar preso a um fabricante sem abrir mão da estabilidade.

Enfim, com o Open Source, a velocidade de inovação está cada vez mais acelerada. O Open Source está presente em todas as tecnologias mais modernas e mesmo nas tecnologias mais tradicionais vemos que ele está gradativamente substituindo o proprietário. Vejam os sistemas operacionais e adoção massiva do Linux!

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