Big Data: tudo é muito mais assustador do que você imagina

Por Luciana Zaramela | 13.08.2014 às 12:15

Big Data: a grande tendência do mundo da tecnologia já vem aparecendo nos principais tópicos da área há uns dois anos. A máxima em torno do Big Data é: quanto mais dados vamos cruzando na web, mais respostas teremos a respeito de questões de negócios. Mas, espere aí: os dados que achamos conhecer não significam nada se comparados ao que geram os diversos tipos de sensores espalhados mundo afora. Pense bem: da máquina de refrigerantes da cantina aos sensores de aviônica. Tudo isso gera dados de que nunca ouvimos falar a uma velocidade absurda. O Big Data não é só o que você vê nos motores de busca.

Então, quais seriam as implicações de um mundo repleto de sensores e dispositivos gerando dados? Quanto, exatamente, se tem de dados sendo gerados a cada segundo no mundo? Difícil imaginar, e ao mesmo tempo, assustador.

De acordo com um artigo do TechCrunch, em vez de usarmos sensores para medirmos deliberadamente nossa atividade pelo mundo, esses mesmos sensores poderiam ser usados para captar essa atividade e medi-la conforme vamos interagindo com os outros vários sensores espalhados por aí. Assim, o mundo ganharia a habilidade de nos perceber coletivamente.

Eletrodos

De fato, estamos começando a ver isso e, daqui a algum tempo, essa percepção de dados coletivos vai acontecer. E a tecnologia vai se tornando cada vez mais invasiva, principalmente com o advento da Internet das Coisas. Basta imaginar o número de dispositivos conectados em casas inteligentes enviando dados o tempo todo para um computador, dados estes que dizem respeito à nossa privacidade e ao que fazemos no dia a dia. Tudo em tempo real.

O Big Data está tomando proporções tão assustadoras que, falando em números, 90% dos dados existentes atualmente no mundo foram criados nos últimos dois anos. Segundo Peter Levine, um parceiro da firma de venture capital Andreessen Horowitz, criamos 2,5 quintilhões de bytes de dados todos os dias. "Segundo algumas estimativas, cria-se um novo Google a cada 4 dias, e essa taxa está só aumentando", escreveu o executivo ao TechCrunch.

Processando o Big Data

Precisamos de melhores ferramentas para processar essa quantidade exorbitante de dados. Uma empresa que já está se preocupando com o problema é a GE, responsável pela produção de motores a jato, locomotivas e grades elétricas. O vice-presidente de software center global da empresa, Bill Ruh, diz que as estimativas industriais sugerem que haverá 17 bilhões de ativos comerciais conectados até 2025. Segundo ele, hoje, apenas 10% desses equipamentos possuem sensores, e a maioria deles não conta com a inteligência que terá no futuro.

Para entender melhor o problema, a LG está trabalhando lado a lado com a Pivotal para construir o que ambas chamam de "lago de dados". Seria algo maior do que o que já fazem os armazéns de dados, projetados há cerca de 10 anos, com informações de ERP e CRM. A quantidade de dados gerada hoje é muito maior do que isso e requer uma arquitetura muito mais flexível para acomodá-la.

Só na área de motores a jato, a GE acredita gerar 1 TB de dados em apenas um voo. Tente multiplicar essa quantidade pelo número de voos existentes por dia e você terá um resultado escabroso de apenas uma área de uma só indústria de todo o planeta. Consegue imaginar o resultado para 10 áreas da mesma indústria? E para 10 indústrias com todas as suas áreas?

Segundo Ruh, usar o lago de dados vai ajudar a diminuir o tempo gasto para processar dados. O que antes era realizado em dias, será agora realizado em minutos. Segundo a GE, o que antes levou 30 dias para captar, estruturar, integrar e processar os dados foi reduzido para 20 minutos com a nova arquitetura. E segundo Ruh, eles não pararam por aí. Não basta apenas ter os dados disponíveis de maneira rápida. É necessário utilizar esses dados de alguma forma, principalmente para entender melhor como os motores a jato funcionam e, possivelmente, até prever falhas de peças antes que elas ocorram.

Jet Machine

A empresa fez uma parceria com a consultoria Accenture para construir uma ferramenta chamada Taleris, que pode visualizar com antecipação possíveis falhas de peças. E se é necessário obter uma enorme quantidade de dados para que a plataforma de previsão realize seu trabalho, o lago de dados pode resolver esse problema e fornecer todas as informações necessárias.

Outra companhia que está bastante preocupada com o Big Data é a Zebra Technologies, que comprou a divisão Enterprise da Motorola por US$ 3,5 bilhões no início do ano. A companhia vê uma grande relação entre códigos de barras, recibos e impressoras RFID. Para Phil Gerskovich, vice-presidente sênior de plataformas de crescimento na Zebra, a empresa não para de pensar na importância destes tipos de sensores nos armazéns de dados.

barcode

Com simples questões como "O que é?", "Onde está?" e "Qual é a condição?", é possível chegar a vários consensos. Pensando nisso, a companhia desenvolveu um framework baseado em nuvem chamado Zatar, que serve para gerenciar milhões de dispositivos e conectá-los a aplicativos empresariais, para que possam fazer uso da informação que vem dos sensores de alguma maneira que faça sentido no contexto do aplicativo.

Um exemplo de como isso funcionaria foi mostrado no ano passado, durante o Mobile World Congress, pela SAP. Era uma vending machine inteligente, que não só aprendia a reconhecer as pessoas, como também criava um certo nível de interação social entre humanos e máquinas. A máquina ainda podia enviar informações sobre si mesma para o depósito – e aí, os humanos poderiam conferir se um produto estava em falta ou se a máquina estava precisando de manutenção. O sistema foi desenvolvido para que pudesse priorizar manutenções com base em localização. Assim, se uma máquina estivesse precisando de reparos em um estádio de futebol, por exemplo, entraria em contato com o serviço de manutenção automaticamente e resolveria o problema.

Isso mostra o quanto o Big Data está se transformando e tomando proporções incalculáveis. Se conseguirmos controlar esses dados e processá-los de maneira útil para as empresas, várias situações desastrosas poderão ser evitadas, assim como várias soluções poderão ser tomadas de antemão, tudo com base em dados enviados e recebidos por sensores em um mundo cada vez mais conectado.

Algumas empresas já começaram a tratar o Big Data e a Internet das Coisas como prioridade. Quanto mais dados estiverem disponíveis, melhores serão os resultados. De início, é certo que apareçam alguns problemas quanto a esse emaranhado de informações – e a boa notícia é que já tem muita gente preocupada com a situação. A hora de usar todos estes dados em nosso favor é agora.