Big Data: os impactos da tecnologia no cotidiano

Por Colaborador externo | 05 de Maio de 2014 às 07h54

Por Vladimir Motta *

Para ser ter ideia do que é Big Data, em 1977 o computador pessoal começou a ser adotado em escala nos lares norte-americanos. Em 1990, quando a Internet doméstica começou a ser usada, existiam 100 milhões de PCs no mundo. Naquele ano, somente 3 milhões de pessoas em todo o mundo tinham acesso à rede. No Brasil, por exemplo, a Internet chegou somente em 1995, após estar consolidada na América do Norte.

Com o surgimento, em 2002, do primeiro smartphone, um aparelho de celular capaz de navegar na web e acessar e-mails, o número de usuários conectados já ultrapassava a barreira do meio bilhão. O ano de 2007 marcou o começo de uma mudança com a chegada do iPhone e os apps – aplicativos para smartphones – que usam a Internet como porta de conexão de dados. Somando-se todos os dispositivos, 2014 prevê o alcance da marca de 2 bilhões de PCs e 4 bilhões de dispositivos móveis como celulares, tablets e aparelhos GPS, todos conectados produzindo e recebendo dados via Internet.

Os números assustam: até 2010 mais de 3 bilhões de aplicativos foram baixados somente da loja online da Apple. Um novo mundo se abriu com os apps que vieram para resolver uma série de necessidades nunca antes imaginadas como acessar sistemas, serviços, lojas, Internet, tudo ao alcance dos dedos e possível em qualquer lugar. Esses mesmos apps também servem como ferramentas de comunicação e facilitadores da vida nas grandes cidades como a criação de novos relacionamentos, mobilidade, contenção de epidemias, mobilização social, entretenimento, compartilhamento e mais muitas outras funcionalidades que são criadas e descobertas quase que diariamente.

Aliás, as “coisas” também estão entrando na Internet: sua geladeira, seu carro, sua casa, os elevadores, os trajetos de ônibus, as rotas de aviões, os relógios de pulso que só faltam falar e, talvez até o seu cachorro já contam com localizadores GPS no estilo "find-my-dog". Todas essas "não-pessoas" já estão acessando serviços, provendo informações e recebendo comandos através da Internet. Estima-se que até 2020, 26 bilhões de objetos estarão acessando a Internet, segundo o Gartner.

Ao somatório entre essa velocidade, a variedade e o volume das informações geradas e trocadas por todo esse mundo de usuários, humanos ou não, damos o nome de Big Data. E, para acompanhar toda essa revolução tecnológica, é necessária a criação e a evolução constante dos equipamentos e softwares que acompanham esse crescimento de dados e usuários jamais visto.

Com toda essa informação gerada, é possível analisar as preferências e comportamentos das pessoas, o que nos coloca numa posição muito interessante de influenciar toda uma geração de produtos e serviços a serem criados de acordo com a necessidade e conveniência de cada um. Grandes empresas como Coca-Cola, IBM, Microsoft, Google, GE e McDonald´s já estão usando a influência direta do consumidor para desenhar seus produtos e serviços – fenômeno conhecido como Crowdsourcing.

Para se ter uma ideia da profundidade disso, com a criação das impressoras em 3D, o consumidor poderá imprimir direto em casa um produto comprado online. Quantas cadeias de logística e tributação desaparecerão com essa inovação? Imagine o grau de personalização e opções para um mesmo produto quando se pode imprimir em casa. Cada um será o desenvolvedor de seus próprios objetos e poderá vendê-los em lojas virtuais, que tal?

Carros que dirigem de forma autônoma serão a próxima grande novidade. Os testes já estão produzindo modelos de sucesso como, por exemplo, o Lexus, uma parceria entre o Google e a Honda.

Com tudo conectado, nem a imaginação será mais uma barreira para termos um mundo conectado, tendo como base a inteligência dos softwares.

* Vladimir Motta é Gerente de Planejamento Estratégico da Stone Age, empresa especializada em soluções de Big Data.

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