Big Data: Para onde vai e quais são os limites?

Por Colaborador externo | 04 de Fevereiro de 2014 às 09h50

Por Thoran Rodrigues*

Na revolução agrícola, o homem automatizou (com as ferramentas das quais dispunha na época) a produção de um dos elementos mais básicos para a sua sobrevivência, a comida. Na revolução industrial, foi automatizada a produção de bens físicos (produtos), mudando completamente a relação da humanidade com as coisas. Na revolução dos transportes, a automação foi da forma como vamos de um lugar para o outro. Cada uma dessas (e de tantas outras) revoluções pela qual a humanidade passou foram marcadas por processos de automação, por se empregar máquinas para fazerem o que antes era feito por pessoas.

O termo Big Data, embora genérico, representa em seu núcleo uma nova revolução: a informacional. Estamos em um ponto aonde pessoas não são mais a forma mais eficiente de se lidar com informação. Para tratarmos e tirarmos proveito dos enormes volumes de dados disponíveis, precisamos de máquinas de software, processadores automáticos capazes de extrair as respostas para as perguntas que desejamos fazer. É a automação da produção de produtos de informação.

Estamos ainda engatinhando nessa revolução. Nossas máquinas de dados são como o primeiro maquinário da revolução industrial: grandes, cheias de problema, e necessitando de constante intervenção humana. No entanto, assim como nas revoluções anteriores, estamos ficando cada vez melhores. Há alguns anos, a tradução automática entre idiomas era considerada impossível. Hoje, temos ferramentas disponíveis no nosso celular que fazem exatamente isso (embora com erros). Em alguns anos, não vamos nem mais lembrar do tempo em que isso não era possível.

A revolução informacional se acelera em duas dimensões. De um lado, produzimos processadores de dados cada vez melhores. De outro, temos mais informações disponíveis, que vêm de nós mesmos e dos próprios sistemas que construímos, que são a maioria.

Os dados das cidades relacionados com transporte, segurança, clima, ou qualquer outra variável, podem ser coletados e empregados por empresas para não só produzir aplicações de utilidade pública, como a consulta a horários e itinerários de ônibus, mas também para melhorar os sistemas todos, gerando ainda mais informação. Recentemente, sistemas automáticos de alocação de policiais em patrulhas apresentaram resultados superiores à alocação realizada por especialistas veteranos da polícia.

Da mesma forma, a informação disponível pode ser utilizada em grandes eventos, como a Copa de 2014, para se prever o humor da torcida, a probabilidade de haver confusão nos jogos, ou a chance de engarrafamentos no entorno dos estádios. Existem até mesmo algoritmos que tentam prever o provável campeão dos jogos olhando apenas para os dados históricos.

Com o volume praticamente ilimitado de informações que temos disponíveis para trabalhar hoje, é difícil se estabelecer um limite para a revolução do Big Data. Cada vez mais, o fator limitante é a nossa criatividade e imaginação na hora de fazer perguntas, e não a capacidade que temos de respondê-las. Assim como em outras revoluções, o Big Data mudará completamente o mundo aonde vivemos, influenciando diretamente no dia-a-dia das pessoas. Este é o momento ideal para se juntar a essa revolução.

*Thoran Rodrigues, CEO da BigData Corp., empresa especializada em soluções de Big Data.

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