BGS 2019 | Intel e AMD trazem desempenho ao evento, mas fazem apostas diferentes

Por Felipe Demartini | 17 de Outubro de 2019 às 11h07

Uma das perguntas mais antigas do mundo dos hardwares para PC é “Intel ou AMD?” A pergunta que sempre surge no momento de montagem de uma máquina se torna ainda mais presente quando estamos falando de um PC gamer, onde gargalos são indesejados e os gráficos ou aspecto competitivo dos títulos demandam rapidez na resposta e o máximo de desempenho. Na Brasil Game Show 2019, ambas as empresas mostraram suas armas para garantir para si a resposta desse questionamento.

As duas fabricantes adotaram estratégias parecidas no evento. A AMD, por exemplo, estava ao lado da gigante varejista Pichau e exibia seus produtos em máquinas rodando Fortnite, PUBG e outros títulos focados na competição. Próxima, mas em outro pavilhão, a Intel dava as caras de mãos dadas com a Acer, também com eSports rodando em meio a neons, LEDs e muitos notebooks e máquinas parrudas. Quem olhasse mais de perto, entretanto, já perceberia rapidamente que apenas a aparência era semelhante, com a abordagem, em si, tendo suas diferenças fundamentais.

A pompa e a circunstância do estande da Acer tinha uma razão. A marca é a primeira a trazer ao Brasil os processadores de 10ª geração da Intel, que fazem parte da família Ice Lake. Produzidos com uma arquitetura de 10 nanômetros, a nova linha de chips Core chega em nada menos do que 11 diferentes opções, que vão desde as mais básicas até as mais robustas, passando por aquelas focadas em workstations, profissionais da indústria gráfica e, claro, o público gamer.

Na BGS 2019, a Intel se uniu à Acer; marca traz os primeiros notebooks com processadores Core de 10ª geração (Imagem: Reprodução/Felipe Demartini)

Afinal de contas, essa é a BGS 2019 e, como o próprio slogan do evento indica, “aqui se joga”, muito e em qualquer lugar, como as empresas fizeram questão de deixar claro. A proposta das marcas não está relacionada apenas à performance, mas também ao design e portabilidade. Os testes, efetivamente, impressionam, e em jogos como PlayerUnknown’s Battlegrounds, Fortnite e League of Legends, não existiram gargalos.

Isso é fruto, conforme apontou Barbara Toledo, gerente de marketing da Intel, da presença de uma GPU chamada Iris Plus, que reduziu o tempo de resposta e foi pensada justamente na otimização do processamento dos jogos mais populares do mercado. Os jogos são um dos três pilares da tecnologia da Intel para a família Ice Lake, com os outros dois sendo a conectividade e o foco na economia de energia. “O resultado são máquinas fininhas e leves, com ótima duração de bateria, mas que também entregam a performance que os jogadores precisam”, completa ela.

Com uma nova litografia, a promessa é de um desempenho duas vezes maior do que a geração de processadores passada. Em alguns casos, esse incremento pode chegar a até 2,5 vezes, com uma taxa mais alta de quadros por segundo, que também se tornou mais estável, e suporte até mesmo a resoluções como 4K. E isso vale também para os produtores de conteúdo, afinal de conta, tem muito gamer por aí que também anseia o estrelado no mundo do streaming.

O Acer Swift 5 é um dos primeiros notebooks a contarem com os processadores de 10ª geração da Intel, e por isso, era um dos destaques da empresa na BGS 2019 (Foto: Felipe Ribeiro/Canaltech)

Uma das meninas dos olhos da Acer no evento era o Swift 5, um notebook com tela de 14 polegadas que está entre os mais leves do mercado. Pesando menos de um quilo, ele traz um processador Intel Core i7 1065G7 em seu interior e tem display conversível. “É um produto que reúne velocidade enorme e muito poderio gráfico, perfeito para pessoas que buscam o melhor desempenho em suas atividades”, afirma Renato Almeida, gerente sênior de produtor da Acer Brasil.

Acoplado a um monitor, a máquina pode alcançar resoluções e taxas de quadro por segundo altíssimas graças à presença de uma placa de vídeo GeForce MX2501, da Nvidia, que trabalha ao lado da GPU integrada. Outro destaque é a bateria, com a promessa de autonomia de até 12 horas e recarregamento rápido, chegando a oferecer mais de quatro horas de uso com apenas 30 minutos ligado à tomada.

A chegada dos processadores Ice Lake pelas mãos da fabricante também representa um fortalecimento de parceria importante para a Intel, que vê essa união ficando mais forte do que nunca. “A empresa demonstrou um esforço de inovar e trazer os chips o mais rápido possível. Essa união, agora, permite que os brasileiros já possam colocar as mãos em algo que é o estado da arte no mundo da tecnologia”, completa Toledo.

Otimização e poder

Não muito longe dali, a AMD também unia forças com outra gigante do mercado de tecnologia, a Pichau. Em um espaço aberto, a empresa exibia máquinas com dois dos produtos mais recentes de seu portfólio de hardware, dando uma amostrinha do poder de processamento trazido pelos dispositivos das linhas Ryzen 3000, de processadores, e das GPUs Radeon RX 5500.

Novamente, o que rodava nas máquinas gamers era PUBG, Fortnite e outros, sem nenhum sinal de gargalos ou problemas de desempenho que incomodam os jogadores dos títulos competitivos. A fabricante não deixa de mirar as estrelas com seus produtos, é claro, mas com as Radeon RX 5700 que rodaram durante os cinco dias de BGS 2019, o foco era outro. Sua concorrente direta é a GTX 1650, da NVIDIA, o que dá uma ideia de desempenho intermediário que não se reflete no resultado visto na tela, algo que é fruto de outro centro da atuação da companhia.

Para AMD, foco está na eficiência e otimização, com direito a um sistema de pré-processamento que melhora a qualidade das imagens sem perda de FPS (Imagem: Divulgação/Pichau)

A aposta da AMD não termina no desempenho, pura e simplesmente, mas passa também por sistemas que otimizam os recursos dos computadores e focam na eficiência energética. É o caso do FidelityFX, um recurso disponível nas placas da linha que aplica suavização e antisserrilhamento antes da composição do quadro visto pelo jogador, o que reduz o impacto dessa atividade sobre o hardware e entrega um resultado visualmente melhor.

“Essa nova tecnologia garante uma melhoria significativa de qualidade com perdas de no máximo 3% na taxa de quadros por segundo. Ou seja, a queda no desempenho é quase imperceptível”, explica Alfredo Heiss, especialista técnico da AMD. A diferença está no momento em que esse filtro é aplicado já que, normalmente, o antisserrilhamento em uma etapa posterior, depois que o processamento do quadro já aconteceu completamente.

Nessa mistura de processamento e eficiência, Heiss destaca ainda o uso de barramentos PCI Express 4.0, um novo padrão que já aparece nos novos equipamentos da AMD e que pode trazer até o dobro da velocidade de transmissão em relação à geração anterior, enquanto ainda compatível com componentes antigos, com a tecnologia anterior. “Isso torna muito mais veloz o uso de SSDs, por exemplo, onde ainda existia um gargalo”, completa o especialista.

Com um processo de fabricação em 7 nanômetros e arquitetura RDNA, a promessa da AMD para a linha Radeon RX 5500 é de um desempenho até 1,6 vezes maior que na geração anterior de placas de vídeo, além de uma eficiência 37% maior. O modelo 5700, disponível na BGS, já está disponível para venda, enquanto as outras chegam até o final do ano.

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