Experimentamos o Wii U – promessa digna ou exagero da Nintendo?

Por Vanessa Lee

A expectativa que está sendo criada em torno do Wii U é quase que universal. Geralmente os consoles da Nintendo sempre foram aguardados por entusiastas, ou melhor, fãs mesmo da desenvolvedora, que sempre estão alí para defendê-la, custe o que custar. Tudo isso por ter uma reputação não muito boa entre os hardcore gamers. No entanto, a empresa quer provar o contrário, mudar essa imagem esquizofrênica dentro do mercado de jogos e, por isso, anunciou a nova plataforma.

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Circulando pela BGS vi a tão falada máquina. A sensação inicial é de descrença, mas ao entrar na sala especial projetada para abrigar o Wii U, pude sentir no começo algo similar com o que foi feito no lançamento do tradicional Wii.

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Umas garotas estavam lá para auxiliar na primeira e desajeitada tentativa de jogar aquele negócio. Confesso que ao empunhar o GamePad, a que todos chamam de “tablet” – e a Nintendo detesta tal nomenclatura -, fiquei meio cismada com o tamanho do controle. A estranheza não é passageira na hora de jogar Rayman Legends, feito especialmente para o console. Minha pergunta inicial, como uma gamer tradicional, era se o GamePad poderia ser usado isoladamente apenas como joystick, e a resposta não me pareceu uma das mais convincentes, pois segundo um dos demonstradores o aparelho pode exigir que o tablet seja usado obrigatoriamente para algumas ações, o que para mim não é nem um pouco confortável. Trocando em miúdos, não, não pode ser usado como um controle apenas.

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Voltando ao gameplay de Rayman entendi que podia ser realmente divertido apreciar essa nova perspectiva de jogabilidade. A Ubisoft acertou quando elaborou o título para tais recursos, pois é possível jogar cooperativamente com outra pessoa usando o Wii Mote - uma ajuda a outra em ações bem divertidas e praticamente guiadas pelos toques no touch. Como exemplo: enquanto corro pelas plataformas, meu comparsa faz cócegas em outros monstrengos, que atravancam meu caminho, pelo touch do GamePad. É uma interação dupla ainda mais divertida do que se jogado no controle convencional, fato.

Esse foi apenas um dos vários que testei por lá. Meu interesse maior era no tão falado ZombiU, porém, encontrei pessoas entretidas nele e resolvi olhar em volta e pegar outro game pra explorar. Caí direto em Ninja Gaiden Razor’s Edge, que ampliou ainda mais a experiência que tive com o jogo anterior. Nele, confesso que a dificuldade é um pouco maior, já que a anatomia do controle não colabora muito. As combinações de combos são extasiantes e as cenas entre uma investida e outra são enriquecedoras, mas confesso que é realmente bom explorar todos os recursos do GamePad antes de pegar um jogo como esse, pois assimilar uma quantidade elevada de informações em tão pouco tempo , com um controle daquele tamanho nas mãos, cheio de recursos, é confuso. Já a interface de menu e ações é bem legal de se ver e usar. É dinâmico, mais ainda assim bato o pé no tamanho da bagaça que pode causar um ligeiro desconforto. É trambolhão mesmo.

Finalmente parti para o tal ZombiU. É, o jogo cria imersão quase que de imediato, pois sua atmosfera de horror é a grande jogada. O GamePad aí funciona como menu e como veículo de informações, que pode ser usado para transmitir comandos para outros personagens. Serão jogos como esse, sem dúvida, que farão o jogador esquecer do desconforto do controle. E esse mérito temos de dar novamente à Ubisoft, que fez um bom trabalho. O título tem realmente gráficos bem definidos e a atmosfera de uma Londres sitiada por zumbis remete aos primórdios de Resident Evil. Em termos de jogabilidade de ação o ZombiU fica sendo meu favorito até aqui, mas ainda é pouco para tirar uma grana do bolso no primeiro momento de lançamento do console.

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GamePad: Anatomicamente desconfortável, mas com alguns méritos

Alguns dos jogos apresentados e sua jogabilidade ainda causam estranheza. Em alguns momentos é legal interagir com o GamePad, em outros dá vontade de jogá-lo na parede por conta de algumas funcionalidades que são bem desnecessárias. Parecem estar ali mais pra encher linguiça.

Alguns depoimentos da Nintendo, que mostravam a intenção de atingir os hardcore gamers com seu novo console, poderiam ter força se os primeiros jogos a chegarem no mercado condizessem com esse público. A forma nada anatômica do controle, que tem o espaçamento entre um botão e outro bem avantajado - além de ser pesado -, somado aos títulos fracos apresentados na feira, que não ajudam a explorá-lo melhor, podem fazer com que a investida sobre essa classe de jogadores seja fracassada inicialmente. Já para o público casual, a plataforma será bem interessante, pois traz jogos mais “família” e de fácil cooperatividade. E juntar as pessoas é a coisa que a Nintendo mais gosta de fazer.

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Numa primeira impressão, o Wii U pode ter sido supervalorizado, uma vez que a tecnologia nele investida não é inédita, só diferentemente aplicada. Para os entusiastas da Nintendo, o novo console pode ser um marco na história da empresa, porém, para quem tem disposição a querer uma experiência de jogabilidade intensa e totalmente nova, esse pode não ser um dos investimentos mais favoráveis. Ao menos por enquanto, que o aparelho chegará ao Brasil, provavelmente, sob um preço não tão acessível.

Se quiser comprá-lo, a dica é: espere mais um pouco.