Pesquisadores querem reconstituir características de Da Vinci pelo seu DNA

Por Redação | 06 de Maio de 2016 às 14h58

Nesta quinta-feira (5), foi anunciado o início de um projeto ambicioso que mistura tecnologia e arte. O objetivo é sequenciar o DNA do artista e inventor italiano Leonardo Da Vinci, visando determinar não só suas características físicas, mas também compreender possíveis influências genéticas em sua capacidade artística.

Chamada de "Projeto Leonardo", as pesquisas contarão com equipes de cientistas de diversos países, como Canadá, Estados Unidos, Espanha, Itália e França. Para que as descobertas sejam possíveis, os pesquisadores pretendem ter acesso aos restos mortais do gênio, que viveu entre 1452 e 1519, além de utilizar materiais genéticos que possivelmente possam ter ficado nas obras e em objetos pessoais de Da Vinci.

É claro que recuperar esses materiais será bastante desafiador. De acordo com Rhonda Roby, do Instituto Craig Venter, atualmente já existem tecnologias que possibilitam a extração do DNA de uma pessoa por meio de suas impressões digitais ou por objetos tocados, porém o trabalho será dificultado pela idade dos materiais, que acarreta a degradação do DNA.

Os pesquisadores afirmam que, se o material genético puder ser recuperado, será possível reconstituir a aparência física, os hábitos, a saúde, a alimentação e a acuidade visual de Leonardo Da Vinci. Este último ponto, aparentemente, é o de maior interesse para os cientistas, pois apesar de as características genéticas não serem as responsáveis pela genialidade do artista, determinar a sua capacidade visual pode explicar detalhes de sua arte.

Segundo Jesse Ausubel, vice-presidente da Fundação Richard Lounsbery, "há indivíduos com sentidos excepcionais. Alguns com grande capacidade visual, outros grande acuidade auditiva. Essas qualidades são alguns dos atributos genéticos nos quais estamos especialmente interessados. Mas, para ser um gênio, tanto a natureza como a educação são importantes".

O projeto deverá ser concluído em 2019, no 500º aniversário da morte do artista.

Fonte: Exame