WhatsApp critica Justiça brasileira e diz funcionar separado do Facebook

Por Redação | 03 de Março de 2016 às 13h15

Depois do Facebook, agora foi a vez do próprio WhatsApp condenar a operação policial que levou à prisão preventiva do diretor da rede social na América Latina, Diego Dzodan, na última terça-feira (01). O executivo foi detido em São Paulo, devido a uma recusa do mensageiro em entregar nomes de usuários de seus sistemas para auxiliar em uma investigação sobre tráfico de drogas.

Em resposta, o WhatsApp afirmou que nem mesmo poderia fazer isso, uma vez que só possui controle sobre as mensagens trocadas entre seus usuários antes de elas chegarem ao aparelho de destino. De acordo com a empresa, seus servidores servem apenas como uma espécie de intermediário, com todo o conteúdo sendo apagado uma vez que a comunicação é entregue ao destinatário. Nada é armazenado, nem mesmo os dados de perfis, e a única informação solicitada para uso do serviço é um número de telefone.

Com isso, aproveitou também para refutar as acusações de que, ao operar fora do Brasil, estaria indo contra as normas do Marco Civil da Internet, que exigem presença e servidores no país. Mesmo que essa presença existisse, o WhatsApp não seria capaz de auxiliar a Justiça da maneira solicitada, já que o funcionamento seria exatamente o mesmo e, de acordo com seu diretor de comunicações, Matt Steinfeld, a empresa jamais mudaria sua operação desta forma.

Essa é a arma do WhatsApp para garantir a segurança e o anonimato das mensagens trocadas. Ao utilizar uma criptografia end-to-end, a empresa garante quem nem mesmo ela própria poderia verificar o conteúdo dos dados, mesmo que estivessem armazenados em seus servidores, uma vez que apenas remetente e destinatário teriam as chaves necessárias para acesso.

Dzodan foi alvo de um mandado de prisão preventiva executado pela Polícia Federal no começo desta semana, a pedido da Justiça de Lagarto, no estado de Sergipe. No entendimento do processo, o Facebook teria responsabilidade sobre a operação do WhatsApp por ser dono do serviço de mensagens. A rede social, em nota, taxou a operação como desproporcional e lamentou a detenção de seu executivo, que foi liberado na manhã desta quarta (02) após a emissão de um habeas corpus.

Não é a primeira vez que o WhatsApp se envolve em problemas desse tipo. Em dezembro, uma ordem judicial pediu o bloqueio do software no Brasil por 48 horas por motivo semelhante. A suspensão efetivamente aconteceu, mas durou cerca de 12 horas até ser revogada. Nesta semana, o delegado responsável pelo caso, Fabiano Barbeiro, comentou que cogita voltar a pedir a interrupção do serviço, uma vez que ele continua se recusando a cooperar em uma investigação sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais organizações criminosas do estado de São Paulo.

Fontes: Folha, Mobile Time

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.