Vereador tenta agredir diretor do Uber em sessão na Câmara de São Paulo

Por Redação | 07 de Abril de 2016 às 08h10
photo_camera Divulgação

Aconteceu nesta terça-feira (5) a primeira audiência pública para debater o projeto de lei que visa regulamentar o Uber em São Paulo. Mas o encontro foi marcado por confusão entre os defensores e críticos da proposta.

A sessão foi realizada na Câmara Municipal da cidade, por volta das 20h, e contou com um grande número de taxistas, que lotaram o auditório e um pavilhão interno da Casa. A audiência foi convocada pela Comissão de Trânsito, Transportes, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia da Câmara.

Durante a reunião, o vereador Adilson Amadeu (PTB), que é ligado aos taxistas, ameaçou agredir Daniel Mangabeira, diretor de políticas públicas do Uber no Brasil, que também acompanhava o debate. "Quero te pegar, eu vou te pegar. Eu vou dar na sua cara", disse Amadeu. Ele ainda soltou palavras de xingamento ao representante do aplicativo na Câmara.

No vídeo, divulgado pela Rádio BandNews FM, Amadeu e outros vereadores partem para cima do executivo do Uber e de pessoas favoráveis ao projeto que deve regularizar as atividades da companhia em São Paulo. O vereador Dalton Silvano (PV) também gritou contra Mangabeira: "Ele está rindo, está provocando". Os parlamentares foram contidos por outros colegas na mesa.

"Ele [Mangabeira] é um cara de pau. Fica dando risada, mexendo a boca, fazendo careta sempre que estou discursando. É uma provocação permanente, para me tirar do sério. Mas é bom ressaltar que não tentei agredi-lo. Nem cheguei perto dele, só estava gesticulando", disse Amadeu, se defendendo. O vídeo ainda mostra Amadeu dando um tapa na câmera de um cinegrafista que acompanhava a discussão.

Mais duas audiências públicas devem acontecer até o dia 27 de abril, quando o projeto de lei deve ser colocado em votação. A expectativa é que a regulamentação do Uber em São Paulo seja aprovada, pois tem o apoio do prefeito Fernando Haddad (PT).

Histórico de confusões

Este não é o primeiro caso polêmico envolvendo parlamentares contrários ao Uber na capital paulista. Recentemente, a Polícia Civil abriu uma investigação contra o presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo (Simtetaxi-SP), Antonio Matias (mais conhecido como Ceará). Ele é investigado por incitação e apologia ao crime após aparecer em um vídeo divulgado no Facebook no qual incentiva a violência contra os motoristas do Uber.

Na mesma época, os jornais Folha e Estadão divulgaram conversas trocadas por taxistas no WhatsApp que declaravam guerra ao serviço na cidade. No que eles chamaram de "fase de guerrilha", os taxistas disseram que iriam "colocar fogo em cada carro preto" visto na rua, e que, "para ser liberto dessa maldita empresa (Uber), a gente derruba sangue".

Fontes: BandNews FM (Facebook), Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo