Um bom chatbot diz mais sobre você que qualquer currículo ou LinkedIn

Por Redação | 23 de Maio de 2016 às 21h13
photo_camera lifehacker, esther crawford, gizmodo

Os chatbots são o que há de mais novo no mundo da comunicação inteligente. Com um desenvolvimento mais rápido e fácil que o exigido para um aplicativo de assistente virtual, esses scripts de perguntas humanas e respostas pré-programadas é bem mais antigo do que a maioria imagina: você provavelmente não se lembra, mas o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) criou, nos final dos anos 60, um chatbot chamado ELIZA. Este ELIZA era capaz de responder perguntas com respostas pré-programadas e até mesmo mudar de personalidade, variando a forma como ela atenderia um pedido seu.

Chatbots

Possuindo apenas 204 linhas de código em sua primeira versão, ELIZA foi o primeiro software do gênero quando criado em 1966 (Imagem/Reprod.: Planett Source Code)

Para conhecer melhor o desenvolvimento de uma interface como essa e também verificar sua aplicabilidade, a editora Esther Crawford, do Life Hacker, decidiu criar um chatbot sobre ela mesma. Esther criou um bot capaz de responder perguntas sobre sua carreira e formação, além disso o chat é capaz de apresentá-la formalmente como uma espécie de currículo interativo. Bacana, né? Ela explica em seu artigo que, embora os perfis de plataformas como o LinkedIn facilitem muito esse engajamento profissional nos dias de hoje, eles são muito interpessoais e acabam fazendo muito menos do que poderiam.

A editora afirma que plataformas como o LinkedIn fazem um ótimo show-off das qualidades de um candidato, mas que eles são péssimos em exprimir as qualidades subjetivas de quem procura um emprego. Nos EUA, mesmo, se leva muito mais em conta a entrevista feita pessoalmente do que de fato o currículo com informações descrevendo você. Esther escreveu em seu artigo que pensou nos chatbots como a solução perfeita para inserir todo o conteúdo de uma entrevista numa conversa onde ela não precisasse, de fato, estar presente.

No seu mini-app, ela inseriu perguntas e palavras-chave comuns em entrevista de emprego, e para cada uma delas deu diferentes opções de resposta que expressassem um pouco de sua personalidade. Ela ainda afirma que isso era o seu objetivo desde o início: tornar o seu currículo algo muito mais pessoal do que formal, mostrando traços pertinentes de seus gostos pessoais para um possível contratante.

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Por não ser registrado sob o nome do seu criador, Joseph Weizeinbaum, ELIZA se popularizou muito pelo mundo e ganhou versões com interface gráfica em alguns anos (Imagem/Reprod.: CS FieldGuide)

Esther explica também que não é nenhum tipo de desenvolvedora ou entendedora de códigos web; segundo ela mesma, seus conhecimentos não ultrapassam o extremo másico básico do HTML, CSS e JavaScript. Por causa disso, ferramentas mais completas para a criação de bots como o Kik Bot Kit, Gupshup, Api.ai, Howdy's BotKit, Wit.ai ou até mesmo a suite Microsoft Bot Network, não eram atrativos para a tarefa porque exigiam um conhecimento que havia tempo para ser aprendido, a partir daí, ela revela que contornou essas dificuldades optando por ferramentas mais simples, mas que exigiam menos dela também.

Depois de tentar o TextIt e o similar Sonar, Esther decidiu que o Smooch era a melhor opção. Embora o Telegram e a sua plataforma para bots consigam fazer você gerar um chatbot em poucos minutos, o Smooch foi escolhido por funcionar melhor em diferentes mensageiros e manipular de forma mais eficiente os conteúdos de mídia como fotos ou vídeos, aditivos interessantes para um currículo. O Smooch oferece suporte para SMS, MMS, Facebook Messenger, Telegram e o aplicativo de produtividade Slack, comum em escritórios para a comunicação de funcionários.

Durante o uso, o Smooch oferece um pacote interessante de integrações: ele funciona bem no Android e iOS, além de suportar a plataforma de aplicativos e bots do Facebook, Telegram e Wordpress. Nele você pode aceitar pagamentos e oferecer suporte aos clientes com a ajuda de vários outros serviços, isto caso você se interesse por um bot de encomendas para sua loja, por exemplo. Como todas as conversas realizadas com o bot são acessíveis para a própria Esther via Slack, ela pode assumir o comando da conversa sempre que achar necessário, pois é avisada sempre que uma mensagem nova chega para o bot dela.

E como você mesmo pode fazer?

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(Imagem/Reprod.: Esther Crawford)

A editora realizou um tutorial detalhado de como utilizar a plataforma, mas ela mesma sugeriu que usuários de teste não devem se sentir intimidados por estarem lidando com códigos e plataformas de desenvolvimento, como o GitHub. Abaixo estão os passos descritos por Esther:

  1. Crie uma contra grátis no Smooch e use o botão "create new app" no menu lateral para criar um bot novo;
  2. Determine com qual plataforma de conversas o seu bot irá interagir. Esther, por exemplo, utilizou o Twilio, um serviço que permite a programadores enviar e receber mensagens ou ligações, mas que também é pago;
  3. Crie uma conta ou logue em uma conta já existente no GitHub e siga para o Estherbot, o bot da editora;
  4. Clique em "fork" (ela explica que isso é útil se você quiser editar o bot criado por ela, em algum momento);

Agora que você já iniciou a criação do seu mini-app, é necessário configurá-lo dentro do próprio Smooch:

Chatbots

(Imagem/Reprod.: Esther Crawford)

  1. Com um app já criado, siga para as configurações e anote o Token do seu aplicativo. Na mesma tela, gere uma nova chave-secreta e sua KeyID. No final anote ambas como fez com seu Token;
  2. É necessário que você guarde o seu app em algum lugar, afinal ele não pode ser baixar ou instalado, ele fica na web. Esther explica que você deve usar o botão "deploy to Heroku" na página ReadMe do GitHub de seu bot.

Heroku é um serviço que hospeda aplicativos web e funciona de forma gratuita, então você não precisa ter medo de criar uma conta lá. Depois disso feito, é só continuar:

  1. Seu app agora está funcionando sob o maquinário do Heroku, mas isso não é tudo. Lembre-se de anotar a URL da página na qual seu chatbot está hospedado pelo serviço. Você precisará especificar essa URL no campo SERVICE_URL das configurações do próprio Heroku. É possível fazer isso indo às configurações e seguindo para as configurações de variáveis;
  2. Ainda no Heroku, não se esqueça de configurar a opção "Deploy" para funcionar automaticamente e também não se esqueça de conectá-la à sua conta do GitHub. Assim, toda vez que você realizar mudanças no código criado por Esther, essas mudanças serão efetivadas no seu bot de forma instantânea.

Ensinando o seu bot a falar

Chatbots

(Imagem/Reprod.: Esther Crawford)

Agora que você já tem seu bot pronto, precisamos decidir o que ele irá dizer. É nessa parte que o arquivo script.json entra: segundo a editora, é nesse arquivo que há o conjunto de palavras que geração as reações e respostas do bot. Veja só como prosseguir:

  1. Para editar o arquivo, clique no botão com o pincel. As palavras-chave estão à esquerda, enquanto as respostas do bot ficam à direita. As palavras-chave são o que o bot precisa identificar num texto para daí gerar uma resposta pré-programada por você. Esther explica que no bot criado por ela, a conversa começa com um "Bom, o que você gostaria de saber sobre a Esther?" e que você pode mudar isso para o que bem entender.
  2. As únicas coisas nas quais não seria bom mexer diz respeito aos termos CONNECT ME e DISCONNECT. "Connect Me" desliga as respostas automáticas, já o termo "Disconnect" reativa a conversa.

Próximo ao final de seu artigo, Esther Crawford explica que decidir o que seria perguntado ao bot e quais seriam suas respectivas respostas foi a parte mais difícil do processo inteiro. Para ela foi realmente complicado tornar algo tão objetivo numa conversa mais descontraída entre uma pessoa e um script, sem que isso se tornasse desgastante para quem conversa com o Estherbot.

Ainda de acordo com a autora do artigo, seu bot está fazendo um baita sucesso pela internet. Ela diz que ele já a apresentou a pessoas de todo tipo de indústrias e isso por meio de várias plataformas sociais, como as pertencentes ao Google, Microsoft e Facebook. Já em retirada, a moça também faz um questionamento que gostaríamos de reproduzir aqui: você também acha que os chatbots são o que há de mais interessante na forma como interagimos com serviços desde o surgimento das lojas de apps? Se sua resposta for sim, você pretende fazer parte dos que já possuem um aplicativo do gênero?

Via: Lifehacker

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