Uber pode perder qualidade ao permitir minifrotas de veículos, aponta jornal

Por Redação | 09 de Maio de 2016 às 08h18
photo_camera Divulgação

Uma reportagem especial do Estadão investigou o submundo do Uber, o aplicativo que se tornou o queridinho dos passageiros em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Para vencer a concorrência com os táxis tradicionais, o Uber passou a oferecer corridas 15% mais baratas e incluiu serviços além do Uber Black (o transporte com o carro preto), incluindo opções ainda mais em conta como o Uber X (a versão mais popular do serviço) e o Uber Pool (que permite dividir a corrida com outros passageiros). No entanto, uma prática realizada há muito tempo pelos taxistas também é permitida pelo Uber: a existência de minifrotas. Segundo especialistas, a empresa permitir motoristas “terceirizados” sem nenhum tipo de regulamentação fará com que a qualidade do serviço decaia pouco a pouco.

Funciona assim: qualquer motorista cadastrado no Uber pode registrar quantos carros desejar, desde que estejam em seu nome. Então, o proprietário de, digamos, cinco veículos, pode registrar todos em seu nome no aplicativo, sublocando os carros para motoristas terceirizados. Esses anúncios já podem ser encontrados em jornais e sites de classificados, contratando motoristas e cobrando entre R$ 500 e R$ 700 por semana pelo “aluguel” do carro. Por um lado, é uma boa para quem está desempregado e não tem condições de comprar um carro com as especificações exigidas pelo Uber, mas, por outro, qualquer pessoa pode se tornar motorista do serviço sem ter nenhum tipo de treinamento ou qualificação.

A companhia autoriza esse tipo de prática, pelo menos por enquanto. O Uber cobra até 25% do valor de cada corrida, e os 75% restantes podem ficar inteiramente para o motorista - se esse for o dono do veículo - ou serem divididos entre o proprietário e o condutor, que não tem nenhum tipo de vínculo trabalhista com o Uber.

Com essa liberdade toda, os donos dos veículos podem fazer qualquer tipo de acordo com os motoristas terceirizados. Sendo assim, alguns acabam trabalhando até 14 horas por dia para conseguirem uma renda suficiente a fim de arcar com os gastos do veículo e obter algum lucro. Analisando esse cenário, especialistas em trânsito e em Direito do Trabalho já apostam em uma deterioração do serviço, prejudicando passageiros e fazendo com que eles, de repente, voltem a utilizar o tradicional serviço de táxis.

De acordo com Flamínio Fichmann, consultor de transporte e trânsito, “o Uber está errando a mão”. “Essa terceirização sem responsabilidade coloca o serviço em um limbo. O uso de um veículo por um terceiro não deveria acontecer”, afirma. Para o engenheiro e mestre em transporte Sérgio Ejzenberg, talvez o Uber só preste atenção a essa tragédia anunciada quando o serviço começar a cair, de fato, e a empresa perder rentabilidade. Para ele, o “Uber tem de se cuidar como qualquer empresa, senão a concorrência vai atropelar”. “Se começar a virar bagunça, o usuário vai perceber a queda de qualidade”, afirma.

Em nota, a companhia esclareceu que o motorista pode cadastrar quantos carros desejar, “desde que atendidos os requisitos e condições estabelecidos”. Esses requisitos envolvem ter em dia o licenciamento, DPVAT e apólice de seguro com cobertura para acidentes pessoais a passageiros a partir de R$ 50 mil.

Fonte: Estadão

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.