Uber não deve ser proibido em São Paulo

Por Redação | 25.09.2015 às 13:09

Depois de sinalizar que vetaria o funcionamento do Uber em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad parece ter voltado atrás e disse que a intenção não é proibir a atuação do serviço na capital. Em Paris, onde participa de um evento com estudantes de ciências políticas, ele disse que a ideia é regulamentar o serviço para que ele não concorra diretamente com taxistas, ao mesmo tempo em que não abandone suas evoluções tecnológicas.

De acordo com o prefeito, a administração pública está analisando os modelos aplicados em outras cidades nas quais o Uber funciona e trabalhando ao lado do Executivo para chegar a uma solução. Haddad citou a cidade de Nova York como um bom exemplo do que fazer e disse estar usando também leis federais e municipais sobre mobilidade para chegar a um consenso que seja benéfico para todos os envolvidos.

O prefeito não chegou a dizer exatamente como tudo vai funcionar. Na Grande Maçã, cidade citada como uma das inspirações para São Paulo, o sistema funciona a partir de uma diferenciação de tarifas de acordo com o horário, engarrafamentos, tipo de carro escolhido e trajeto realizado, fazendo com que a diferença no serviço, e não o preço, seja o grande motivo da escolha entre táxis e os carros do Uber.

A decisão de regulamentar a plataforma e permitir seu funcionamento pode desagradar aos motoristas de praça, que comemoraram a decisão da Câmara Municipal que, no último dia 9, havia aprovado o veto ao Uber. Por outro lado, a decisão também deveria permitir que a prefeitura buscasse soluções alternativas e aprimorasse a legislação, justamente o que a administração de Haddad pretende fazer agora.

Em resposta à possibilidade de proibição, o Uber instruiu seus usuários a entrarem em contato diretamente com o gabinete do prefeito pedindo o veto ao projeto de lei, seja pelas redes sociais, email ou telefone. A campanha teria tido apoio maciço – já que, de acordo com o serviço, são 12 milhões de pessoas o utilizando em São Paulo – mas não foi citada como motivo para uma possível mudança no posicionamento de Haddad.

Situação semelhante acontece agora no Rio de Janeiro, mas sem sinalizações de que tudo vai acabar bem. Na capital carioca, a Câmara dos Vereadores já aprovou a proibição do Uber e, agora, a decisão espera a sanção ou veto do prefeito Eduardo Paes. Por lá, a ideia é aplicar multas de até R$ 2 mil para quem for flagrado transportando passageiros sem ser um taxista.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, o Uber também operam em Brasília e Belo Horizonte, cidades nas quais o serviço também enfrenta pressão de taxistas. Outros municípios, como Curitiba, ainda não contam com a plataforma, mas também já foram palco de protestos contra a iminente chegada dela.

Fonte: Estadão