Telegram promete lutar contra uso de aplicativo por terroristas

Por Redação | 17 de Julho de 2017 às 17h06
photo_camera Desiree Catani

O fundador do Telegram, Pavel Durov, se comprometeu a lutar contra o compartilhamento de conteúdo terrorista e extremista no aplicativo de mensagens. Em resposta às críticas que o software vem recebendo justamente por conta de sua utilização para esse fim, o executivo anunciou a criação de grupos de moderação dedicados exclusivamente para evitar que esse tipo de tema utilize o mensageiro como vetor para se propagar.

As medidas vieram em resposta às ameaças do governo da Indonésia, que disse que baniria o aplicativo do país caso a empresa não tomasse medida para a remoção não apenas do conteúdo terrorista, mas de toda a atividade ilegal disponível na rede. A preocupação principal é com relação aos canais e grupos públicos, que podem ser usadas como arma de propaganda por terroristas.

Os times de moderação serão criados, inicialmente, na própria Indonésia e contarão exclusivamente com participantes locais, que conheçam a cultura e a língua. É essa a forma de o Telegram acelerar o combate a conteúdos irregulares no país e atender às preocupações do governo quanto ao uso do app por terroristas, principalmente.

As reclamações do governo indonésio, porém, se proliferam ao redor de todo o mundo, com a administração do Telegram não tomando qualquer atitude a esse respeito. Entre os países que já se posicionaram de forma contrária ao app estão Rússia, Estados Unidos e a União Europeia, que apesar de não falarem em banimento, se mostraram preocupados quanto ao uso do mensageiro como ferramenta para que terroristas levem à cabo seus planos ou recrutamentos.

Uma das principais críticas é com relação à criptografia aplicada, que impediria o acesso das autoridades às mensagens, além da constante utilização de chats “secretos” – cujas mensagens desaparecem depois de algum tempo. Nesses casos, uma investigação não teria acesso à comunicação nem mesmo se estiverem de posse do celular de um suspeito, com o Telegram afirmando não poder fazer nada, também, a respeito.

Essa noção, inclusive, permanece. Ao se defender das alegações do governo indonésio, Durov disse que a equipe do Telegram desativa dezenas de canais ligados ao ISIS e outros grupos terroristas todos os meses, mas que devido a um compromisso firmado com seus usuários, não pode fazer nada em relação às conversas privadas entre eles. O fundador se defende afirmando que não é favorável a extremistas, mas que a privacidade de seus usuários vem sempre em primeiro lugar.

As ameaças do governo da Indonésia vieram depois que suspeitos de terrorismo detidos no país afirmaram utilizar o Telegram para recrutar simpatizantes e coordenar ações. Em alguns casos, até mesmo documentos relacionados ao planejamento de ataques e instruções para fabricação de bombas caseiras teriam sido compartilhados pelo app, com o software sendo cada vez mais usado por rebeldes no país.

O foco do novo time de moderação, inicialmente, está concentrado apenas na Indonésia. Durov e a equipe do Telegram, entretanto, não negaram nem confirmaram a expansão da moderação para outros territórios nem um incremendo dos trabalhos de bloqueio de conteúdo suspeito que a companhia afirma já realizar normalmente.

Fonte: The Wall Street Journal

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