Telegram está parcialmente bloqueado na Arábia Saudita

Por Redação | 13 de Janeiro de 2016 às 09h40

O famoso aplicativo de troca de mensagens Telegram está bloqueado para centenas de usuários na Arábia Saudita desde o último domingo (10). A informação foi confirmada pelo criador da ferramenta, Pavel Durov, que ainda disse que o download do serviço está "bastante lento" para novos adeptos.

Os primeiros relatos sobre a suspensão começaram a chegar na manhã do mesmo domingo, quando usuários questionaram a empresa nas redes sociais se a indisponibilidade era algo intencional ou para consertar possíveis falhas técnicas. No mesmo dia, a companhia declarou que o governo saudita havia bloqueado por completo o app em todo o país. Ao que tudo indica, o serviço está voltando a funcionar aos poucos, mas ainda enfrenta problemas de conectividade.

Não se sabe as razões pelas quais o Telegram está passando por tais falhas nos últimos dias entre usuários árabes. Como destaca Amir-Esmaeil Bozorgzadeh, do TechCrunch, é provável que o aplicativo tenha sido derrubado por ser uma das plataformas favoritas de grupos extremistas, entre eles o Estado Islâmico (ISIS). Desde os ataques em Paris, no final do ano passado, a vigilância em cima do app foi intensificada para identificar grupos públicos relacionados a organizações terroristas.

Contudo, Bozorgzadeh alega que, mesmo com uma fiscalização maior, está cada vez mais complicado conter esses grupos no mensageiro. "Parece que estão lutando contra uma Hidra (famoso monstro da mitologia grega). Toda vez que o Telegram bloqueia algum canal afiliado ao ISIS, outros dois são criados em seu lugar", disse.

No Irã, outro país sob suspeita de usar o Telegram para esses fins, a situação é ainda pior, pois 80% dos cadastrados (cerca de 20 milhões de pessoas) são de fora da República Islâmica, reunião dos países (Irã, Paquistão, Afeganistão e a Mauritânia) que possuem seu regime baseado no islamismo. Isso levou o governo local a diversos questionamentos, entre eles se a empresa responsável pelo aplicativo tem seus servidores, ou parte deles, hospedados no Irã ou se farão isto futuramente.

Os terroristas utilizam o Telegram por ele ser mais seguro que seus concorrentes - como é o caso do WhatsApp, que possui uma criptografia aparentemente fácil de ser driblada. Acredita-se que antes dos ataques na capital da França, integrantes do Estado Islâmico contataram outros criminosos na cidade através do app.

Na época, a companhia também anunciou um novo sistema para facilitar as denúncias de qualquer conteúdo considerado "censurável". Além do terrorismo, a pornografia e atividades consideradas criminosas são outros assuntos alvos da fiscalização da empresa.

Fonte: TechCrunch

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