Será que os "chatbots" vão substituir os apps?

Por Redação | 15.08.2016 às 09:46
photo_camera CNN

A propaganda quanto às "muitas" funcionalidades e possibilidades que um chatbot pode trazer é grande, assim como as expectativas também são bastante elevadas em relação a esses assistentes robóticos que prometem estabelecer uma conversa com o usuário.

Mark Zuckerberg voltou a comentar sobre a presença de robôs assistentes no Facebook Messenger durante sua última entrevista ao Verge, apresentando-os como uma forte ferramenta que deverá ser melhor explorada no futuro. Na conferência F8, para desenvolvedores do Facebook, a empresa já havia anunciado a plataforma "Messenger Platform Beta", que permitirá a criação de chatbots diretamente para o mensageiro da rede social. Mas, será que os chatbots podem ocupar o lugar dos aplicativos?

Atualmente, com a quantidade de aplicativos existente, alguns muito bons, outros nem tanto, os chatbots aparecem como alternativas para aplicativos de compras, de previsão do tempo ou de notícias, por exemplo, na tentativa de diminuir o tempo que o usuário gasta para encontrar tais informações. Uma pesquisa recente realizada pela ComScore apontou que a maioria dos americanos gasta metade do tempo com apps utilizando apenas um deles, e outros 18% com o segundo mais usado. Não é novidade que provavelmente os aplicativos mais usados devam ser o Facebook e outro associado ou pertencente à companhia.

Chatbot Compras

Com os chatbots presentes no Facebook Messenger, a intenção é que ele deixe de ser apenas um aplicativo de troca de mensagens e bate-papo e passe a entregar também outros serviços de busca e compras, tornando menor a "necessidade" de outros aplicativos.

O ponto positivo é que, com os chatbots, não é necessário aprender a usar uma nova interface sempre que instalar um aplicativo porque tudo estará em um único app já conhecido.

Inteligência Artificial envolvida

A Inteligência Artificial contida nos chatbots possibilita que eles aprendam sobre o comportamento e preferências do usuário, para entregar um melhor resultado. Isso reduzirá drasticamente o uso - pelo menos nos smartphones - de uma grande quantidade de aplicativos. Ou seja, conforme o advento da IA, os chatbots poderão estar cada vez mais em sintonia com as preferências do usuário.

Mas o caminho ainda é longo para que os chatbots tenham, de fato, um bom espaço na vida das pessoas. Atualmente, marcas como CNN e Wall Street Journal já possuem chatbots integrados ao Facebook, mas nem eles são tão populares assim.

Hi Poncho ChatBot

O Chatbot "Hi Poncho" foi criado para dar informações sobre o tempo, todavia, em uma experiência feita pelo jornalista Darren Orf, do Gizmodo, apresentou problemas básicos de comunicação, como decifrar o que o usuário estava pedindo. Durante a experiência, o jornalista pontuou diversos problemas que majoritariamente envolvem essa dificuldade em compreender aquilo que foi pedido.

Darren ainda questionou alguns desenvolvedores de bots para o Messenger, que lhe afirmaram que, pela complexidade da linguagem humana, criar esse tipo de ferramenta é bem complicado. "Se as pessoas acham que estão falando com outras pessoas, elas ficam mais propensas a serem casuais ou naturais", disse Ben Brown, desenvolvedor que fez uma plataforma para criar bots e que cria chatbots para o Slack. Ou seja, se a intenção é promover uma interação entre assistente e usuário, isso levará bastante tempo para ser de fato funcional.

Provavelmente os chatbots não extinguirão os aplicativos nos smartphones por enquanto. Não enquanto o obstáculo de reproduzir e compreender a linguagem humana não for ultrapassada.

Fonte: Venture Beat