Rússia afirma que terroristas usaram Telegram para organizar atentado

Por Redação | 26 de Junho de 2017 às 10h42

O governo da Rússia voltou seus olhos mais uma vez ao Telegram, afirmando que o aplicativo foi usado pelos terroristas responsáveis por um atentado ao metrô de São Petersburgo. A explosão de uma bomba por um suicida, em abril, deixou 15 mortos e dúzias de feridos, com toda a organização dos ataques sendo feita, de acordo com as autoridades, por meio do mensageiro.

Mais uma vez, o governo russo pede que o Telegram libere as informações de Akbarzhon Jalilov, o responsável por executar o atentado, já que ele teria usado o mensageiro para se comunicar com cúmplices e também com o mentor do ataque. As autoridades afirmam que tais dados seriam fundamentais não apenas na caça aos responsáveis, mas também para que outros atentados possam ser impedidos.

Em comunicado, as autoridades do país apontam o Telegram como uma escolha tradicional de grupos terroristas, principalmente o Estado Islâmico. O software foi utilizado pelo ISIS, recentemente, para assumir a autoria do atentado na London Bridge, em maio, e também foi parte da organização de ataques realizados na França e no Oriente Médio.

Foi justamente a segurança extrema promovida pelo mensageiro que o levou a se tornar uma escolha padrão para terroristas. O aplicativo permite a realização de chats privados com mensagens que desaparecem depois de algum tempo e a criação de grupos para contatar até cinco mil pessoas de uma só vez, duas funcionalidades que vêm sendo usadas com constância por radicais para recrutamento, contato com membros e organização de ataques.

Além disso, as alegações representam mais uma investida do governo russo contra o Telegram. De acordo com as leis locais, serviços online em operação no país devem ter servidores regionais que armazenam informações dos usuários ao longo dos últimos seis meses, que devem ser entregues ao governo mediante notificação judicial. O aplicativo teria estourado o prazo para adequação e, por isso, pode acabar sendo bloqueado.

É uma situação semelhante à que já aconteceu em 2014 com a rede social VK, não coincidentemente, também fundada por Pavel Durov. Após se ver obrigado a deixar a empresa devido a solicitações do governo, ele deixou a Rússia e fundou o Telegram nos Estados Unidos, o que não impediu que se visse, mais uma vez, na mira da administração Vladimir Putin.

Em resposta às alegações do governo, Durov afirmou que nem mesmo a empresa possui as chaves de criptografia do serviço, que estão armazenadas nos dispositivos dos próprios usuários. Sendo assim, não poderia entregar os dados pedidos nem se quisesse. Além disso, alegou que os pedidos do Kremlin vão contra a liberdade individual dos usuários e citou como abusivas as alegações de que um aplicativo útil pode ser bloqueado por causa de seu mau uso por criminosos.

Sobre as alegações de que o Telegram serve como acessório a grupos terroristas, a companhia disse fazer o possível para impedir isso, bloqueando grupos relacionados ao ISIS e outros radicais. Entretanto, como já disse, até mesmo esse combate é complicado pois nem mesmo ela própria possui acesso às conversas de seus usuários.

Fonte: BBC