Protestos contra o Uber em Paris acabam em violência

Por Redação | 25 de Junho de 2015 às 11h35

As ameaças recentes de representantes de sindicatos de taxistas, durante debate na Câmara dos Deputados, encontraram correspondência nesta quinta-feira (25) em Paris, quando um protesto de motoristas contra o Uber terminou em violência e confronto com a polícia. A manifestação causou transtorno na vida de quem seguia para os aeroportos da capital francesa e envolveu até mesmo celebridades.

Espalhadas pelo YouTube e pelas redes sociais, as imagens normalmente trazem a palavra “caos” associada a elas, e é exatamente isso o que se vê nos registros. Carros que supostamente operavam para o Uber acabaram capotados e incendiados, enquanto pneus em chamas e outros obstáculos foram utilizados para bloquear as principais vias de Paris e as rotas de acesso aos aeroportos Charles de Gaulle e Orly.

O protesto era, principalmente, contra a chegada do serviço UberPOP, uma versão da plataforma com custos mais baixos para as corridas. De início, a manifestação foi pacífica, com muitos passageiros descendo dos carros, quando isso era possível, e caminhando até os aeroportos. Com o tempo, porém, os ânimos foram ficando inflamados e os atos de violência contra os veículos supostamente fretados pelo aplicativo começaram a acontecer.

Existem relatos, também, de que táxis em serviço e motoristas que se recusaram a participar do protesto também teriam sido alvo de violência, tendo a passagem impedida ou se tornando alvo de ovos, pedras e outros objetos. Manifestações semelhantes também teriam ocorrido em outras cidades da França, mas, de acordo com os relatos, os incidentes graves de violência teriam ocorrido apenas em Paris.

E em meio a toda a confusão, a cantora Courtney Love começou a postar mensagens em suas redes sociais indicando estar bem no epicentro do protesto. Em uma das imagens, ela mostra a janela do veículo em que estava, atingida pelo que parece serem ovos, e diz que vai voltar ao hotel onde estava hospedada. Depois, pelo Instagram, contou que passou algumas horas presa no trânsito e, assustada devido à manifestação, criticou o presidente François Hollande. “Adoro o povo francês, mas seu governo é péssimo”, disse.

As ações de revolta, claro, motivaram a ação da polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e avançou sobre os manifestantes. No momento, a situação parece estar mais controlada na capital francesa, de acordo com mensagens nas redes sociais, mas algumas avenidas e rotas principais de Paris continuam bloqueadas.

Proibição

A França é um dos países da Europa em que o Uber recebe grande resistência por parte dos sindicatos de taxistas, mais ou menos como acontece no Brasil. Em Paris, oficialmente, a versão POP do serviço é proibida, o que não impediu que diversos motoristas continuassem trabalhando com a opção mais barata. Os trabalhadores do setor cobram mais fiscalização por parte do governo, além de um banimento definitivo da plataforma no país.

Os motivos, por lá, também são parecidos. Em Paris, o valor de uma licença para trabalhar como taxista é de € 240 mil, mais de R$ 800 mil. Sendo assim, parece óbvio que uma alternativa digital que permita a qualquer um atuar como motorista iria ser recebida com negatividade. Oficialmente, apenas o Uber “tradicional”, com seus carros pretos e luxuosos, pode funcionar na França.

No Brasil, o serviço chegou a ser proibido por uma decisão judicial que permaneceu em vigor por apenas alguns dias. Protestos e manifestações já ocorreram por aqui, nas cidades em que a plataforma atua ou não, mas, pelo menos por enquanto, foram poucos os casos de violência como os vistos em Paris.

Para representantes de taxistas, porém, uma situação como essa pode estar próxima de acontecer já que, na última semana, eles afirmaram em Brasília que está complicado frear os ânimos da categoria, enquanto o governo não toma uma decisão definitiva sobre o assunto.

Fonte: Mashable

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