Políticos americanos criticam Apple por remover músicas no Apple Music chinês

Por Thaís Augusto | 12 de Abril de 2019 às 21h00
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Depois de remover músicas de artistas pró-democracia do Apple Music chinês, a gigante de Cupertino vem enfrentando críticas de legisladores americanos. Os políticos dizem que a Apple não deveria estar participando da censura promovida pelo governo da China.

Na última terça-feira (9) repercutiu a notícia de que a empresa havia removido de seu app de músicas na China uma música chamada Ren Jian Dao, que fala sobre o Massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989. O massacre encerrou a maior manifestação contra o Partido Comunista Chinês (PCC) realizada até hoje.

Os manifestantes que foram às ruas por quase dois meses reclamavam das condições sociais, da repressão aos direitos individuais, à liberdade de imprensa e de expressão. Uma das cenas mais famosas do protesto foi quando um homem se colocou em frente a um tanque do governo.

A Apple também retirou do seu serviço de streaming um cover da mesma canção chinesa. Outros artistas pró-democracia da China foram atingidos. Em alguns casos, listas e discografias foram removidas na íntegra dos servidores da Apple.

Acredita-se que as músicas removidas são uma estratégia do governo chinês para impedir manifestações públicas antes do 30º aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial em junho deste ano.

Com a repercussão da notícia, membros do Congresso dos Estados Unidos passaram a criticar a Apple por seu papel na repressão liderada pela China. O senador Marco Rubio declarou: "É uma vergonha ver uma das empresas de tecnologia mais inovadoras e influentes da América apoiar os esforços agressivos de censura do governo chinês".

O governo da China é descrito por Rubio como um regime que "construiu um Estado totalitário através de níveis verdadeiramente orwellianos de vigilância em massa, censura pensada e abusos dos direitos humanos".

A deputada Cathy McMorris Rodgers repreendeu a Apple por não "ser uma voz mais forte pela liberdade em todo o mundo". Recentemente, a empresa retuitou comentários de um grupo de direitos humanos que trabalhava para relembrar as vítimas das atividades do regime comunista.

Uma queixa semelhante foi feita pelo deputado Greg Walden, que chamou a notícia "preocupante". "Quando relatos como esse são feitos, precisamos fazer perguntas sérias para garantir que os direitos humanos sejam protegidos", disse Walden, "e se essas notícias forem verdadeiras, a Apple deve uma explicação ao público".

Citando a Primeira Emenda dos Estados Unidos, o representante Bob Latta expressou preocupação de que a Apple "concordaria com as exigências feitas por autoridades chinesas para censurar a música pró-democracia". Ele também disse que "devemos esperar melhor dessas empresas".

Os comentários dos legisladores norte-americanos seguem a mesma linha de outros críticos, como a diretora da Human Rights Watch, Sophie Richardson, que chamou a decisão de "espetacularmente covarde, mesmo para os padrões [da Apple e do CEO Tim Cook]".

Não é a primeira vez que a Apple remove conteúdo de seus serviços a pedido do governo da China. A lista inclui a remoção do aplicativo oficial do New York Times da App Store no final de 2016, bem como um pedido de 2017 para derrubar aplicativos de rede virtual privada (VPN) capazes de contornar o "Grande Firewall" chinês. Em março de 2016, a Apple também desativou um emoji da bandeira de Taiwan em Macs chineses rodando o macOS 14.14.1.

Quando questionada sobre o assunto, a Apple diz que opera cumprindo as leis locais.

Fonte: Apple Insider

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