Parlamentares adiam a votação do projeto que regulamentaria o Uber em São Paulo

Por Redação | 03.05.2016 às 20:01

Se você pensou que a novela do Uber em São Paulo iria ter um fim após o prefeito da cidade, Fernando Haddad, realizar um acordo que votaria a liberação de serviços de transporte privado desse gênero, você está infelizmente enganado: nesta terça-feira (3), 9 líderes partidários conseguiram mais uma vez adiar a votação do projeto que agora pode até mesmo ser engavetada na Câmara Municipal da capital paulista.

Na semana passada, o prefeito que faz parte do Partido dos Trabalhadores já havia comunicado ao público que suas intenções não significavam de fato um fim próspero para os cidadãos paulistanos: de acordo com ele, os vereadores e até mesmo integrantes de sua base aliada que estavam envolvidos na ideia achavam que proposta precisava ser discutida por mais tempo no Legislativo. Hoje, sem o apoio de líderes do PR, DEM, PP, PV, PRB, PMDB, PSB, PSDB e PTB, Haddad deve mesmo optar por aprovar apenas o decreto municipal sem as novas regras que regularizariam serviços de transporte privado padronizado, como o próprio Uber.

Para ter êxito, o prefeito precisa de 28 assinaturas colhidas com sua base de governo. Só depois de ter todas elas confirmadas é que Haddad e seus aliados poderão votar a proposta — até o momento, o líder da cúpula, Arselino Tatto, afirma ter conseguido 21 desses nomes. Caso tudo ocorra como o planejado, a proposta de adaptação de serviços do gênero será adicionada ao projeto em seu "pé de pauta", como é chamada esse tipo de mudança de última hora num projeto de lei.

O projeto defendido pelo prefeito foi criado em parceria com José Police Neto (PSD) e obriga as empresas que realizam esse tipo de mediação entre passageiros e motoristas a pagar uma taxa anual ou mensal. Em troca, esses carros poderiam funcionar sob algumas condições que até o momento o Uber não atende — a mudança seria para adaptar o projeto ao modelo operacional do aplicativo — a pressão que os líderes partidários estão fazendo é intencional, segundo alguns agentes do judiciário, para eles o plano é atrasar a votação até que se engavete o projeto e o prefeito siga com o decreto sem as adições que tornariam o Uber legal.

Haddad diz que tem pressa em resolver o caso e talvez se verá obrigado a não incluir o conjunto de regras na lei em questão.

Via: Exame