Para fundador do Easy Taxi, Uber poderia ser liberado sem regulamentação

Por Rafael Romer | 05 de Outubro de 2015 às 18h20

Tallis Gomes, empreendedor brasileiro e fundador de um dos mais populares aplicativos de chamada de táxi, o Easy Taxi, disse nessa segunda-feira (10) que é a favor da liberação total do aplicativo de caronas pagas Uber no Brasil, sem nenhum tipo de regulamentação.

"Eu sou contra a regulamentação do Uber e do táxi também, eu sou a favor de deixar a mão invisível do mercado resolver o que tem que fazer", opinou Gomes em entrevista ao Canaltech. "Não acredito que o Estado tenha que licitar setor algum, precisa deixar com a indústria privada".

Gomes se define como um libertário econômico e contou durante sua apresentação durante a Maratona Valor PME, em São Paulo, que vê na atual polêmica com o Uber algo semelhante ao que o Easy Taxi sofreu nos seus primórdios, quando algumas prefeituras queriam barrar o serviço ao classificá-lo como um serviço como uma cooperativa de táxi.

Esta semana promete ser agitada para a discussão ao redor do Uber, já que a expectativa é que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, vete o projeto de lei que proíbe o serviço na cidade aprovado pela Câmara Municipal até quinta-feira (8). De acordo com o político, não é possível dispensar a tecnologia do Uber, mas uma regulamentação deverá permitir que o app e outras soluções do tipo possam coexistir com a oferta já existente de transporte na cidade, que inclui taxistas, motoristas particulares e todo tipo de transporte coletivo.

Apesar de ser crítico à regulamentação, Gomes comenta que isso já seria um avanço em relação à proibição total do serviço. "Regulamentar é positivo, mas vai gerar mercado paralelo", afirmou. "Haddad vai regulamentar o Uber, e vai acabar aumentando o preço. Daqui a pouco o Uber vai ter o mesmo preço do táxi, e eu acho que o Haddad não deveria mexer com isso".

Tallis deixou o cargo de CEO do Easy Taxi em novembro do ano passado, mas atualmente mantém a posição como um dos membros do conselho do serviço, por isso não discute mais a estratégia da empresa. Ainda assim, questionado pelo Canaltech, o empreendedor afirma que acredita que o Easy Taxi está "está fazendo" iniciativas para se preparar para enfrentar o novo concorrente que vem bater à porta no mercado de táxis.

De taxis para mercado da beleza

Há dois meses, Gomes partiu para um novo projeto longe do setor de transportes do Easy Taxi, para se dedicar a outro mercado em crescimento no Brasil: o de beleza. O resultado desse investimento é o Singu, um marketplace de serviços como manicure, pedicure e de massagem que conecta clientes a prestadores de serviços através de um aplicativo.

O executivo estima que, hoje, 45% deste setor avaliado em R$ 100 bilhões anuais esteja nesses serviços de beleza, mas que ainda sofre com uma descentralização muito grande dos profissionais. Através do Singu, esses prestadores de serviço podem receber e atender a chamados de clientes, indo diretamente à residência ou escritório de quem requisitar o serviço. Pelo atendimento, o prestador de serviço fica com 70% do pagamento e 30% fica para o Singu.

Hoje o serviço tem dois modelos principais: o tradicional B2C, no qual clientes requisitam o serviço pelo app, mas também no formato B2B, pelo qual empresas podem requisitar os serviços de beleza para seus funcionários e pagarem diretamente para a Singu através de um boleto, como uma prestação de serviços.

O serviço já está disponível nas cidades de São Paulo, onde os dois modelos estão ativos, e no Rio de Janeiro, onde só há o modelo B2B ativo. O serviço conta com pouco mais de 100 profissionais atuando na plataforma e deve se expandir para outras cidades nos próximos meses.

De acordo com Gomes, o Singu já recebeu um aporte de capital na casa das "dezenas de milhões", mas não revela o valor ou quem foi o investidor que apostou na ideia. "A companhia está gerando muito caixa, a gente não esperava que seria tão positivo. Agora tudo vai depender da forma como vamos escalar, se for muito rápido, talvez precisemos de novos investidores", disse.

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