Pagamento peer-to-peer: o futuro já começou no Brasil

Pagamento peer-to-peer: o futuro já começou no Brasil

Por Percival Jatobá | 05 de Maio de 2021 às 10h00
Reprodução/WhatsApp

Costumo dizer que a tecnologia vitoriosa não é necessariamente a mais inovadora, mas aquela que busca resolver os problemas reais da sociedade. Ela surge quando há uma necessidade premente. O mundo está em constante transformação porque o estilo de vida das pessoas exige mudanças.

Nesta semana, a indústria avançou nessa direção e fez um importante anúncio: a partir da última terça-feira (4), usuários do WhatsApp no Brasil poderão transferir dinheiro com a mesma comodidade e rapidez com que trocam mensagens. É um projeto pioneiro no país do qual temos orgulho de participar. Sinto que estamos diante apenas do início de uma verdadeira revolução na forma de enviar e receber dinheiro.

Estivemos em contato com parceiros para tornar viável essa operação grandiosa, que envolve plataformas e variáveis complexas. Por meses, realizamos testes, correções de processos, revisão de fluxos e adequações para dar segurança a todo um novo ecossistema.

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As tecnologias Visa Direct e Cloud Token foram fundamentais para tornar viável esse novo meio de pagamento entre pessoas, amigos e familiares. Gostaria de falar mais sobre elas – e explicar como funcionam – antes de analisar o impacto e os benefícios desse lançamento para a sociedade.

Usamos a tecnologia de pagamento push, por meio da solução Visa Direct, para viabilizar a transferência direta de quantias de uma credencial de pagamento para outra, em uma operação muito rápida. Nesse tipo de transação, os fundos são enviados pelo usuário para a credencial de pagamento de quem vai receber o dinheiro de forma rápida, segura e sem atrito.

É uma tecnologia que dispõe dos padrões de segurança Visa e pode ser usada de forma conveniente em qualquer dispositivo. É como se você transferisse um valor para o seu amigo sem ter que usar o cartão físico, por meio de uma plataforma digital e global. Em vez de usar dinheiro vivo ou informações sensíveis da conta bancária, os pagamentos push evitam que o destinatário tenha acesso aos dados bancários ou do cartão de quem fez a transferência.

Outra tecnologia poderosa que atua no sentido de garantir a segurança das transações é o Cloud Token, uma versão aprimorada de blindagem de dados da tokenização, da qual tenho falado bastante recentemente. E olha que legal: o Brasil será o primeiro país do mundo a adotar essa tecnologia para esse tipo de pagamento.

Primeiro, vamos entender como o token age: trata-se de uma ferramenta que substitui informações importantes, como os dígitos do cartão, data de validade e código de segurança, por um identificador digital único, permitindo a realização de compras e transferências sem expor detalhes que possam ser comprometidos por fraudadores. Ela protege o cliente e oferece mais segurança, por exemplo, no uso de carteiras digitais. Resumo como isso acontece nas cinco etapas a seguir:

  1. O usuário registra seu cartão no serviço de pagamento ou canal, informando os dígitos, código de segurança e outros dados.
  2. O provedor do canal solicita um token de pagamento para a credencial inscrita.
  3. A Visa informa o pedido de token de pagamento para o emissor do cartão.
  4. Com a aprovação do emissor, os dígitos da credencial do portador são substituídos por um identificador digital único.
  5. O token de pagamento é enviado para o provedor de carteira digital ou do canal.

Com o novo Cloud Token, quando a pessoa insere os dados no sistema, as informações sensíveis são removidas e protegidas, sendo que esses dados são convertidos em tokens e armazenados em nuvens. A transação pode ser feita com o mesmo nível de segurança de quando usamos cartões, validando com uma senha ou a digital. Mas há uma série de vantagens. Por exemplo, a flexibilidade de usar sua credencial em diferentes aparelhos simultaneamente. No caso de perda do cartão, você pode continuar a transferir dinheiro normalmente pelo aplicativo.

Com o uso de Inteligência Artificial, permitimos também que os emissores monitorem as transações no nível do token gerado, acompanhando, por exemplo, o controle de quantidade e o valor de transações em determinado período. Com esse diagnóstico, é atribuída uma nota de risco para aquela transação. Ou seja, há uma série de protocolos de segurança que garantem a tranquilidade do usuário.

Sistemas de pagamento rápido estão se tornando mais relevantes do que nunca. Em resposta à pandemia que enfrentamos, a aceleração das compras digitais mudou a maneira como vivemos e estabelecemos relações pessoais e comerciais.

Em um projeto pioneiro no país, demos um passo enorme para tornar acessível mais uma nova forma de pagamento democrática, inclusiva, segura e vital para a chamada nova economia. Por meio desse projeto, também concretizamos finalmente o conceito da “desconstrução do plástico”, pois não precisamos mais ter um cartão físico, e sim uma credencial de pagamento que traz elementos essenciais para a realização de uma transação em qualquer dispositivo, como relógios, pulseiras, celulares e plataformas automotivas, como os carros. Os consumidores agradecem.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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