Nova York quer limitar número de carros da Uber em circulação

Por Felipe Demartini | 30 de Julho de 2018 às 11h24
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Nova York pode ser a primeira cidade americana, e uma das primeiras no mundo, a imporem um limite máximo de carros em circulação para serviços de transporte por aplicativos. A legislação ainda estaria em fase de estudos, mas estaria encontrando relações entre o crescimento explosivo de nomes como Uber e Lyft e o aumento no tráfego durante os horários de pico.

Além disso, a ideia dos membros da câmara nova-iorquina é de que a grande população de carros estaria gerando reduções nos pagamentos dados a motoristas. Afinal, quanto mais veículos para suprir a demanda, menor a incidência de tarifas dinâmicas, que aparecem justamente nos horários de maior circulação de passageiros, como na ida ou retorno do trabalho, saídas de eventos ou outros momentos dessa categoria.

As novas normas de regulação dos apps de transporte ainda estariam sendo desenvolvida pelo conselho da cidade, mas já contariam com o apoio de diversos representantes do povo. De acordo com o líder da câmara de Nova York, Corey Johnson, a ideia é estabelecer um teto para os aplicativos e interromper a emissão de licenças de funcionamento, a não ser no caso de veículos adaptados para cadeirantes e outros usuários que possuem necessidades especiais.

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Esta também é a segunda vez que o atual prefeito da Grande Maçã, Bill de Blasio, tenta criar limites para a presença de veículos de aplicativos em Nova York. Em entrevistas, desta vez, ele se manteve isento e não demonstrou apoio à iniciativa, mas citou preocupações quanto à presença estimada de mais de 100 mil carros da categoria nas ruas da cidade e, também, quanto à saúde do próprio segmento, bem como da indústria de táxis, que pode deixar de ser próspera justamente por conta da altíssima oferta.

Ele não citou nominalmente os casos, mas vereadores e representantes envolvidos na nova tentativa de regulação olham com preocupação para esse mercado, principalmente depois da notícia de que seis trabalhadores do setor se suicidaram nos últimos meses. Preocupações financeiras e quanto à depreciação dos próprios trabalhos seriam os motivos pelos quais os seis, incluindo três taxistas, teriam tirado as próprias vidas.

Além do limite de carros em operação, outras medidas estariam sendo estudadas pelo setor, como a obrigação de pagamento mínimo para os motoristas, mesmo que eles não atinjam esse total em corridas. O valor seria calculado por hora e sugere que as companhias reduzam suas comissões como forma de absorver os problemas causados pelo próprio crescimento.

A Uber, é claro, se opõe de forma agressiva às novas medidas. Em declarações públicas e anúncios publicitários, a empresa afirmou que a imposição de um limite de veículos em circulação deve afetar, de forma mais direta, a população pobre e que reside nas periferias, uma vez que os carros ficarão mais concentrados no centro. Os tempos de chamada também devem aumentar, assim como o atendimento passa a demorar mais, trazendo inconvenientes a todos os passageiros.

A empresa também apontou o dedo para a prefeitura de Nova York, afirmando que ela está tentando prejudicar seus serviços enquanto “não faz nada para acabar com congestionamentos e melhorar a qualidade do transporte público”. Além disso, a Uber volta seus ataques ao que chamou de “medalhões”, grandes donos de licenças de táxi que dominam esse mercado e têm grande poder de lobby, em uma ação que seria, inclusive, cobrada pelos próprios motoristas de praça.

Nas declarações, a Uber afirma que o interesse de poucas pessoas estaria sendo atendido com a entrada de novas regulamentações, enquanto a maioria da população acabaria prejudicada. Ela cita, principalmente, o povo negro, que sofreria com discriminação e dificuldades na hora de conseguir uma corrida de táxi nas ruas, mas não teria o mesmo problema nas chamadas por aplicativos.

Por fim, a empresa respondeu aos membros da administração municipal que apontaram a Uber e outros softwares como o motivo para a queda no número de passageiros de metrô e ônibus, o que atingiu diretamente as finanças destas companhias. Para o aplicativo, a razão é simples: um serviço de melhor qualidade e com preço justo passou a ser ofertado, o que fez com que o deteriorado sistema de transporte público perdesse usuários.

Apesar de as medidas ainda estarem sendo estudadas, sua aplicação pode não demorar muito. Fontes afirmam que a nova regulamentação pode ser submetida a voto no dia 8 de agosto, o que explica, também, a campanha agressiva da Uber contra a nova legislação, principalmente devido ao fato de que, se ela for aprovada em Nova York, é provável que o mesmo aconteça em outras metrópoles ao redor do mundo.

Fonte: The New York Times

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