Motoristas de Uber, 99 e outros ameaçam greve e exigem mais segurança

Motoristas de Uber, 99 e outros ameaçam greve e exigem mais segurança

Por Felipe Demartini | 14 de Janeiro de 2019 às 13h00
Divulgação

Motoristas de Uber, 99 e outros aplicativos de transporte ameaçam entrar em greve ao longo das próximas semanas para exigirem mais atenção das empresas quanto à segurança de seus parceiros. Associações de condutores apontam para um aumento no número de assaltos e assassinatos de parceiros das plataformas e pedem maior rigor das companhias quanto à verificação de passageiros.

Motoristas da cidade de Porto Alegre (RS) seriam os primeiros a realizar uma paralização nesta segunda-feira (14), em um movimento organizado pelas redes sociais que pedia que todos passassem o dia inteiro sem logarem nos aplicativos. Também estão sendo marcadas uma série de manifestações em pontos estratégicos da capital gaúcha.

Uma paralização ainda maior estaria marcada para o dia 20 de janeiro e teria caráter nacional. Até lá, também, outras capitais e grandes cidades do interior do Brasil também realizariam protestos, todos com a mesma exigência de mais proteção durante o trabalho diário. Associações de motoristas em algumas praças, como São Paulo, também estariam em contato com secretarias de segurança pública para lidar com os problemas.

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Entre as reivindicações dos condutores estão a aplicação de um processo mais rigoroso de cadastro de passageiros (que, hoje, exige apenas nome, e-mail e telefone), bem como a exibição dos destinos completos das corridas, para que os motoristas avaliem se estão seguindo para áreas de risco. Os parceiros pedem, ainda, pela possibilidade de recusarem corridas em dinheiro, principalmente de usuários novos, pois este é um método bastante usado por criminosos em registros falsos.

Dois casos violentos teriam sido o estopim das manifestações. Na noite de Ano Novo, o motorista Paulo Junior da Costa foi assassinado por um passageiro, conforme as informações da polícia, tendo sido encontrado morto em Santa Catarina. Já no dia 8 de janeiro, uma condutora do gênero feminino teria sido estuprada e morta por um cliente da Uber no Rio de Janeiro. As investigações sobre os dois crimes estão em andamento.

Os dados da Alma-RS (Associação Liga dos Motoristas de Aplicativos do Rio Grande do Sul), entretanto, apontam para pelo menos cinco mortes de motoristas ao longo dos últimos seis meses, todas ligadas diretamente ao trabalho com as plataformas. Isso sem contar nos diferentes relatos de crimes como assaltos e roubos de carros, também realizados por passageiros que se cadastram nos sistemas com esse intuito.

Em declaração, a Uber afirmou contar com sistemas de machine learning para proteger os motoristas, evitando fraudes e bloqueando corridas que representem risco. Ainda, citou a implementação de um botão do pânico para condutores, que aciona a polícia rapidamente e de maneira discreta. Além disso, disse estar exigindo mais dados de usuários que utilizem corridas em dinheiro, como CPF e data de nascimento.

Já a 99 afirmou estar em diálogo com os motoristas e disse contar com uma equipe de segurança dedicada, que trabalha 24 horas por dia para avaliar corridas de risco e agir em prol da proteção dos motoristas. Essa iniciativa, afirma a empresa, teria sido responsável pela redução de mais de 80% no número de incidentes na plataforma ao longo de 2018.

Fonte: UOL Tecnologia

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