Mapa interativo de app fitness revela localização de militares e gera polêmica

Por Redação | 31 de Janeiro de 2018 às 08h55

Com tantos dispositivos conectados, incluindo smartwatches e pulseiras fitness, a questão da privacidade é uma preocupação constante não só de usuários civis, mas também militares. A privacidade de militares dos Estados Unidos está sendo exposta em um mapa interativo que recebe dados do app Strava, caracterizando uma brecha de segurança e tanto.

O mapa, chamado Global Heat Map, usa as informações de localização obtidas por satélites para indicar onde os usuários do app estão e para onde estão se movendo – e esse monitoramento já acontece há mais de dois anos. O Strava já tem 27 milhões de usuários em todo o mundo, incluindo usuários do Fitbit e também quem baixou o app por conta própria em seus dispositivos.

Ainda que o mapa não exiba informações em tempo real, ele exibe localizações desde 2015 até setembro de 2017, e, no universo dos militares e das operações secretas, ter essas informações reveladas pode representar perigos não somente à integridade física dos soldados, como ao mundo, ao se considerar estratégias militares em áreas de conflito internacional.

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Captura de tela do Global Heat Map revela atividade de militares na região de Candaar, no Afeganistão (Reprodução: Washington Post)

Em zonas de guerra, ou desertos de países como Iraque e Síria, por exemplo, o mapa aparece quase que vazio, mas basta olhar mais atentamente para ver algumas atividades dispersas por ali, revelando por onde passaram alguns soldados de bases norte-americanas que usam o aplicativo em suas atividades físicas. Por isso, os EUA já estão revisando suas diretrizes sobre o uso de dispositivos tecnológicos que possuam meios de serem rastreados.

Em uma declaração oficial, o país afirmou que "o rápido desenvolvimento de novas e inovadoras tecnologias melhora a qualidade de nossas vidas, mas também representa desafios potenciais para a segurança operacional e proteção de força". No momento, os militares estão proibindo o uso de tecnologias com rastreamento em determinados sítios onde há bases norte-americanas.

Em 2013, o Pentágono incentivou o uso de pulseiras fitness entre militares, distribuindo 2.500 desses gadgets como parte de um programa-piloto para combater a obesidade. Mas, na época, o Global Heat Map ainda não existia, sendo publicado online somente em novembro de 2017. E a informação de que o mapa estava revelando posições de soldados por aí foi divulgada somente agora, depois de um estudante de 20 anos ter feito a descoberta.

Seu nome é Nathan Ruser, e ele estuda segurança internacional no Oriente Médio. Ao fuçar o mapa, ele se perguntou se não seria possível descobrir onde estariam soldados dos EUA, movendo o mapa para a região da Síria. As posições dos soldados apareceram, então, "iluminadas como uma árvore de Natal", em suas palavras.

Foi aí que Ruser começou a tweetar sobre a descoberta, divulgando a informação para todo o mundo. Analistas de dados e especialistas militares, além de ex-soldados, começaram a explorar o mapa do Strava para encontrar atividades em suas áreas de interesse, e então a polêmica estava lançada.

Locais já descobertos

Um jornalista descobriu, com o mapa do Strava, muitas atividades em uma praia que fica perto de uma suposta base da CIA na Somália, por exemplo, enquanto um usuário do Twitter disse ter localizado atividades em uma região do Iêmen.

E, ainda que o mapa não revele a identidade dos usuários, o app mostra locais que podem estar conectados a agências internacionais que promovem auxílio a refugiados, como instalações da ONU e bases militares de outras nações além dos EUA. O problema se agrava, mesmo, quando, por meio desse mapa, passa a ser possível descobrir atividades secretas, o que pode causar embates internacionais entre as nações.

Esses dados podem ser usados por pessoas que queiram atacar ou emboscar tropas militares, ou impedir ações humanitárias, e seus trajetos podem indicar rotas de patrulha, além dos locais usados para a prática de exercícios. O mapa do Afeganistão, por exemplo, mostra rotas que conectam bases de abastecimento, e o mesmo acontece em regiões da Síria, onde os EUA mantêm bases não divulgadas ao público. Concentrações de luzes no mapa podem indicar onde as tropas vivem, comem ou trabalham, sugerindo alvos para os inimigos.

"Esta é uma clara ameaça à segurança. Você pode ver um padrão de vida", alertou Tobias Schneider, analista alemão de segurança internacional. "Rotas de patrulha, bases isoladas, muitas coisas podem ser transformadas em inteligência acionável" por meio desse mapa, disse, Nick Waters, ex-oficial do exército britânico que identificou a localização de sua antiga base no Afeganistão.

O que o Strava diz

Em sua defesa, o Strava explicou, em comunicado oficial, que está "empenhado em trabalhar com militares e funcionários governamentais para abordar áreas sensíveis que podem aparecer" em seu mapa, ressaltando que o app tem uma configuração para desabilitar o serviço de transmissão de dados, sendo do usuário a responsabilidade de garantir que sua privacidade e segurança não sejam violadas.

Fonte: Washington Post

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