Juiz que bloqueou o WhatsApp faz sucesso na cidade de Lagarto

Por Redação | 03.05.2016 às 18:23

Nos últimos meses, um juiz se tornou bastante conhecido na internet brasileira. Não estamos falando de Sérgio Moro, magistrado que comanda a Operação Lava Jato, que investiga crimes de corrupção na Petrobras, mas de Marcel Maia Montalvão, juiz da cidade de Lagarto, interior de Sergipe, a 75 km de distância de Aracaju. Ele foi responsável por duas decisões que geraram bastante polêmica neste ano: o pedido de prisão do vice-presidente do Facebook na América Latina, em março, e o bloqueio do WhatsApp em todo o território nacional no dia de ontem (2).

Mas se ele causou polêmica no resto do país, na cidade em que atua as opiniões são bem diferentes. "Aqui ele tem uma repercussão muito grande. Quem quer enfrentar a criminalidade tem um respaldo a favor. É o perfil Sérgio Moro", comenta o advogado e jornalista Adailson Santos em entrevista ao site da BBC. Há cerca de um ano em Lagarto, Montalvão foi do município de Estância, também interior do Sergipe, com a promessa de travar uma guerra contra o tráfico de drogas, algo que ele leva até às últimas consequências — tanto é que não sai de casa sem estar equipado com um colete à prova de balas.

O bloqueio do WhatsApp já chegou ao fim, mas é justamente este ostensivo combate às drogas levado a cabo pelo juiz de Lagarto a razão pela suspensão do aplicativo e pela prisão temporária do executivo do Facebook — a intenção das autoridades é pressionar a rede social para que ela quebre o sigilo de conversas entre traficantes, parte de uma investigação que acontece desde 2013.

Seu estilo participativo chama a atenção da população. Ele normalmente se integra às operações policiais e invoca que “um dos predicados que todo magistrado deve ter é justamente o da coragem”. “Vim aqui para servir em nome de Deus e cumprir uma missão. E aqui cumprirei minha missão doa a quem doer”, disse o magistrado em entrevista ao Portal Lagartense em 2015.

Marcel Maia Montalvão

Marcel Maia Montalvão (esquerda) faz sucesso na cidade de Lagarto. (Foto: reprodução/Amase)

Apesar de favorável à redução da maioridade penal, o juiz tem ressalvas à medida e rechaça a ideia de que “bandido bom é bandido morto” e na mesma entrevista defendeu condições dignas para os presos. “Não é reduzindo a idade de um ser humano que faz com ele não pratique aqueles atos que são contrários à lei”.

Sem jogar para a torcida

Um dos rumores espalhados na internet após a decisão do juiz de pedir o bloqueio do WhatsApp é de que ele teria feito isso para “aparecer”, o que é rechaçado por quem conhece o magistrado e garante que as suas argumentações são sempre muito embasadas. “Não é um juiz que joga para plateia, que faz algo para ter ibope. É super-sensato com as suas decisões. O Facebook ou WhatsApp não estavam cumprindo a determinação judicial. Têm que estar sujeito à lei brasileira”, comenta o advogado criminalista Glover Castro, que já esteve em diversas audiências com Montalvão.

Fonte: BBC