Golpe que "sequestrava" WhatsApp tinha participação de funcionário da Vivo

Por Redação | 13 de Fevereiro de 2017 às 12h04
photo_camera DepositPhotos/prykhodov

Nos últimos meses tem crescido o número de golpes envolvendo o WhatsApp no Brasil e no restante do mundo. E apesar de o mensageiro ter adicionado mais uma camada de segurança ao aplicativo, os cibercriminosos continuam a se superar com golpes cada vez mais criativos e ousados. Desta vez foi descoberta uma nova falcatrua que tinha participação de um funcionário da Vivo.

De acordo com reportagem produzida pela RBS TV e veiculada no Fantástico deste domingo, dia 12, o funcionário ajudava a clonar a linha telefônica dos usuários atacados para que os criminosos pedissem dinheiro para os familiares da vítima. Ainda segundo a matéria, a tramoia fez cerca de dez vítimas em Porto Alegre apenas na semana passada, além de outras vítimas no Maranhão, Distrito Federal, Paraíba e São Paulo.

O golpe funcionava assim: o funcionário da operadora desabilitava a linha de uma pessoa e clonava o número para um chip de um dos criminosos. Feito isso, os bandidos tinham acesso a mensagens das conversas do WhatsApp da pessoa e pedia dinheiro a amigos e familiares com as desculpas mais esfarrapadas do mundo.

Uma das vítimas disse à reportagem que teve sua linha desativada quando estava ao lado da irmã, que logo em seguida recebeu uma mensagem dos golpistas pedindo dinheiro. "Por sorte minha irmã estava do lado e pegou o celular dela. Eu disse 'perdi meu sinal e perdi o WhatsApp, não consigo usar'. Ela disse 'mas tu acabou de me mandar uma mensagem' e nessa mensagem havia um pedido de acesso à conta do banco".

Apesar de a vítima ter avisado alguns amigos sobre o caso, alguns ainda chegaram a transferir entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil para os golpistas.

Também vítima, um empresário gaúcho passou por uma situação ainda mais bizarra. A quadrilha clonou o WhatsApp de um dos seus amigos e pediu para que ele transferisse R$ 3 mil. Pensando que se tratava do amigo num momento de sufoco, o empresário solicitou que sua secretária fizesse a movimentação. "Primeiro vieram os dados bancários, o nome da pessoa e o pedido para transferir R$ 3 mil. Eu só respondi 'OK'", relatou a secretária.

Os bandidos perceberam que quem realizava as operações na conta era a secretária e acionaram o funcionário da Vivo para que ele clonasse o número do empresário. Feito isso, eles começaram a pedir transferências diretamente à funcionária, que não desconfiou de nada e obedeceu às ordens. Nisso, R$ 100 mil foram por água abaixo.

Tantos casos como esse chegaram aos ouvidos da polícia, que prendeu um dos criminosos. Detido, ele revelou que o funcionário da Vivo envolvido no esquema recebia parte do dinheiro arrecadado nos golpes. Segundo o delegado Tiago Bardal, que conduziu o caso no Maranhão, o tal funcionário foi preso em flagrante. "Fomos até a operadora e prendemos em flagrante um dos funcionários. No seu WhatsApp estava toda a conversa com a quadrilha", relatou.

Em nota, a Vivo disse que está apurando internamente os casos registrados.

"A Vivo informa que revisa constantemente as suas políticas e procedimentos de segurança na busca permanente pelos mais altos controles de segurança nos acessos às informações dos seus clientes.[...] Para relatar atividades suspeitas, o cliente pode enviar um e-mail para csirt.br@telefonica.com , entrar em contato com call center ligando no *8486 ou ir até uma das lojas Vivo."

Fonte: G1

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