FBI investiga Uber por ter espionado motoristas da rival Lyft

Por Sérgio Oliveira | 08 de Setembro de 2017 às 11h50

A Uber não cansa de se enfiar em confusões. Mesmo após a chegada do novo CEO Dara Khosrowshahi, a companhia de transportes continua estampando o noticiário internacional devido às suas controvérsias. Nesta sexta-feira (08) o FBI abriu uma investigação contra a Uber para apurar como ela espionou motoristas da rival Lyft.

Segundo informações divulgadas pelo Information, a Uber utilizou de 2014 a 2016 um sistema batizado de "Hell" para criar contas de motoristas falsos na plataforma rival. Com centenas de condutores fantasmas, a companhia monitorava quantos carros estavam disponíveis em determinadas localidades em determinados momentos do dia. Tais informações, obviamente, eram utilizadas pela Uber para levar seus motoristas para áreas em que a cobertura da Lyft era mais deficiente, seja atribuindo-lhes passageiros que estavam a caminho desses locais ou oferecendo incentivos com taxas menores, diferenciadas, para as localidades.

Além disso, o Information ainda alega que o sistema era utilizado pela Uber para identificar motoristas que atuavam em ambas as plataformas. Nesse caso específico, o objetivo era oferecer vantagens e encorajar o parceiro a deixar de utilizar o app da Lyft.

Claro, tudo era feito na surdina, sem que nenhum motorista desconfiasse de nada. Porém, tudo veio à tona no começo deste ano, quando um ex-motorista da Lyft processou a Uber pela utilização da ferramenta, além de invasão de privacidade. A ação não seguiu adiante nos tribunais norte-americanos, mas levantou suspeitas de que a Uber pudesse continuar rastreando motoristas e passageiros - como ela própria admitiu há algum tempo.

Agora, o departamento do FBI de Nova Iorque se une ao Departamento de Justiça de Manhattan para apurar o que eles chamam de "práticas anticompetitivas" da Uber. Caso seja confirmada a utilização do "Hell" para monitorar a concorrência, então a empresa liderada por Khosrowshahi estará em maus lençóis. De novo!

Fonte: The Wall Street Journal, The Information