Empresas de ônibus pedem o fim do Uber Juntos

Por Felipe Demartini | 22 de Janeiro de 2019 às 13h23
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Depois dos táxis, agora é a vez das empresas de ônibus municipais se posicionarem contra a Uber ou, mais espeficiamente, o Juntos, serviço de caronas compartilhadas do aplicativo que funciona nas regiões centrais de seis cidades brasileiras. Queixas foram apresentadas em capitais — São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Aracaju, Maceió e Fortaleza —, além de nove cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, pedindo a proibição do serviço.

Para as companhias, a modalidade configura transporte ilegal de passageiros. Em algumas praças, como na capital paulista, compensações financeiras também foram exigidas judicialmente, com consórcios alegando terem sofrido prejuízos devido à perda de passageiros para o Uber Juntos. Para todos, o serviço pratica concorrência direta e “predatória”, mas sem estar submetido às mesmas regras.

O pedido na Justiça foi feito até mesmo em cidades em que a versão da Uber nem mesmo está disponível, como é o caso de Aracaju e Maceió. Outro temor citado é que o Uber Juntos evolua para outras categorias de veículos além dos carros, passando a incluir também vans e micro-ônibus, aumentando ainda mais a competição contra os métodos tradicionais de transporte coletivos e canibalizando o setor.

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Hoje, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), a perda de passageiros por causa do Uber Juntos varia de 5% a 7%. Caso novos veículos, maiores e com mais capacidades, sejam incluídos, esse porcentual deve aumentar ainda mais. O presidente da organização, Otávio Cunha, disse que a o serviço é o “táxi lotação travestido de nova tecnologia”.

Além da ação que pede a proibição do Uber Juntos ou sua sujeição às mesmas regras que ônibus e vans certificadas, as concessionárias do transporte coletivo paulistano também pediram que a EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) abrisse um processo administrativo. O objetivo é reequilibrar o mercado e trabalhar os contratos de concessão para lidar com a nova realidade dos aplicativos. Entre as alternativas imaginadas estão uma revisão nos valores das tarifas ou um ressarcimento, pela empresa responsável pelo serviço, em pagamento direto às empresas de transporte.

Em resposta à imprensa, a EMTU descartou a revisão de tarifas (a mais recente, inclusive, começou a valer neste final de semana, com aumento médio de 6,45%), afirmando que os atuais contratos já incluem salvaguardas. Por outro lado, também disse ter apreendido, em 2018, carros em situação de clandestinidade que estavam ligados a aplicativos de transporte, mas não disse quantos.

Já a Uber nega que o Juntos seja uma modalidade de transporte coletivo. A empresa explica que a modalidade é, na verdade, um sistema de combinação de viagens individuais com trajetos semelhantes. A ideia, de acordo com a empresa, é colocar mais pessoas em menos carros, atuando da mesma forma que a modalidade tradicional de transporte, sendo um complemento e mais uma opção de transporte público, não um concorrente ou substitutivo a sistemas vigentes.

Disponível em algumas cidades do país, o Uber Juntos é uma modalidade em que passageiros com origem e destino próximos são unidos em um mesmo veículo, dividindo o valor da tarifa. Em São Paulo (SP), por exemplo, uma viagem da rodoviária do Tietê, na zona norte, até a Avenida Paulista pode sair por até R$ 30, enquanto pelo serviço custa cerca de R$ 14 para cada passageiro. Antigamente, o serviço era chamado de UberPool, mas foi rebatizado e teve sua eficácia ampliada, de acordo com a empresa, passando a pedir para que usuários se desloquem por até dois quarteirões para chegarem ao carro, reduzindo as voltas necessárias e o tempo de trajeto para todos.

Fonte: G1

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