Depois de Congonhas, aeroporto de Guarulhos também reúne fiscais contra o Uber

Por Redação | 26 de Agosto de 2015 às 10h32
photo_camera Divulgação

Pouco mais de um mês após noticiarmos que fiscais da prefeitura estão à procura de motoristas do Uber nas redondezas do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, chegou a vez de outro aeroporto do estado paulista ser alvo dessas blitzes: o de Guarulhos, também conhecido como Cumbica.

Monitorar os condutores do aplicativo de corridas particulares pela região tem sido uma atividade frequente, em especial por parte dos taxistas, que ajudam os agentes públicos a fiscalizar qualquer tipo de transporte irregular. O cerco contra o Uber é ainda mais fechado porque apenas táxis da cidade filiados à cooperativa Guarucoop têm autorização para levar passageiros - mesmo que a viagem seja 50% mais cara do que uma corrida normal.

Um desses fiscais é José Luíz Oliveira, de 49 anos. Funcionário da Guarucoop, ele trabalha na área de embarque do aeroporto e sua função é inspecionar qualquer tipo de transporte que não esteja em concordância com a lei. De acordo com Oliveira, as suspeitas começam quando são identificados "motoristas engravatados em sedãs novos e pretos, com vidros escuros e passageiros no banco de trás".

Uma vez localizado o veículo, Oliveira então envia a placa do carro suspeito via mensagem pelo celular a um fiscal da prefeitura. Depois, os agentes municipais se dirigem até o motorista e verificam se o transporte de fato é irregular. Além dos responsáveis pela fiscalização, um táxi é enviado ao local da atuação para levar passageiros que podem estar no automóvel.

Desde o dia 23 de julho, mais de 20 carros do Uber foram apreendidos em Guarulhos. Por conta disso, muitos veículos cadastrados no app começaram a deixar seus usuários no estacionamento e não mais nas entradas do aeroporto - possivelmente com medo de ter o carro apreendido ou enfrentar represálias por parte dos taxistas. A maior parte dos veículos pretos de luxo costuma aparecer mais vezes no terminal 3, destinado a voos internacionais.

Em Congonhas a situação não é muito diferente. Na época em que publicamos a notícia, pelo menos cinco carros haviam sido apreendidos próximos ao aeroporto, mas nenhum deles era do Uber. Além disso, o aplicativo já não funciona mais nos arredores do aeroporto porque foi bloqueado na região. Se o usuário tenta chamar uma corrida pela ferramenta, se depara com a mensagem de que o local não é atendido devido a "desafios operacionais", segundo palavras da empresa.

A multa para quem for flagrado dirigindo um transporte irregular em São Paulo é de quase R$ 2.000. O automóvel fica retido e, para reavê-lo, o motorista precisa pagar outros R$ 521, além de R$ 41 a cada 12 horas que o veículo ficar retido com as autoridades.

Em nota, o Uber informou que "não concorda com apreensões porque o serviço prestado pelo motorista parceiro da Uber não é de táxi" e que, mesmo que o serviço ainda não seja regulado, "isso não significa que ele é ilegal".

Os últimos capítulos da novela envolvendo o Uber não são nada favoráveis a companhia. Nesta terça-feira (25), a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que torna ilegal a circulação de motoristas que façam transporte particular de passageiros pelo aplicativo. Um projeto semelhante está prestes a ser votado na capital paulista e em outras cidades do Brasil. Recentemente, o Senado foi na contramão dos taxistas e discutiu a possibilidade de regularizar o serviço no país.

Fonte: Folha de S.Paulo

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