Com aumento da violência, Uber repensa política de pagamentos no Brasil

Por Redação | 14.02.2017 às 10:07

Quando a Uber passou a permitir, no ano passado, que as corridas fossem pagas com dinheiro, não só aumentou a demanda por seu serviço, mas também os casos de violência contra os motoristas do aplicativo. Dados obtidos pela Reuters mostram que, se na primeira metade de 2016 havia uma média de 13 ataques por mês em São Paulo, de julho em diante o número subiu para 141.

Diante deste cenário, a Uber teve de repensar seus métodos de pagamento no Brasil. Para diminuir os efeitos da violência, o serviço passou, nesta segunda-feira (13), a exigir que usuários informem seu número de CPF se não tiverem cartão de crédito. Além disso, a empresa estuda permitir que motoristas se recusem a aceitar pagamento em dinheiro e vai implementar um algoritmo que bloqueia essa modalidade para usuários que demonstrarem comportamento estranho — como cancelar muitas corridas, por exemplo.

O problema do pagamento em dinheiro é que ele dificulta o rastreamento de infratores. Só que, por outro lado, cartão de crédito não é realidade para todos em países pobres, como o Brasil, onde somente 20% das corridas são pagas por meios digitais. No ano em que disponibilizou o pagamento em dinheiro no país, a Uber viu suas operações crescerem em 15 vezes apenas em São Paulo.

Criminalidade

O primeiro caso envolvendo assassinato no país ocorreu em setembro, também na capital paulista, quando dois adolescentes usaram contas falsas para enganar o motorista Osvaldo Luis Modolo Filho, que acabou morto a facadas. Desde então, a polícia contabiliza outros seis assassinatos, mas a imprensa reportou mais de uma dúzia.

Quando o problema da violência começou a ficar evidente, a Uber negou que teria de fazer mudanças. Andrew Macdonald, que comanda as operações na região, chegou a dizer em uma entrevista à Bloomberg na época, que “se os motoristas estão preocupados, é um pouco emocional". Agora, o próprio Macdonald reconheceu à Reuters que a declaração foi um erro.

Sobre a nova exigência pelo número do CPF dos usuários, Macdonald disse estar confiante de que o novo recurso ajudará a reduzir os problemas de segurança e que desejava que a mudança tivesse ocorrido antes.

Fonte: Reuters