CEO do Uber é investigado sob acusações de fraude em caso de fixação de preços

Por Redação | 08.06.2016 às 23:58

Um juiz de Nova York ordenou que o Uber entregasse documentos para investigar se a empresa contratou investigadores particulares para obter informações fraudulentas sobre competidores em um caso antitruste, de acordo com decisão judicial revelada esta semana. A acusação é grave: o juiz acha que o Uber fez um investigador mentir para obter informações sobre Spencer Meyer, reclamante em uma ação judicial contra a empresa.

O processo, iniciado em dezembro, alega que o CEO do Uber, Travis Kalanick, começou um esquema de fixação de preços com os motoristas do serviço. A ação judicial pede a cabeça de Kalanick, e não do Uber, mas a empresa busca intervir no tribunal.

O investigador contratado pelo Uber teria chamado os advogados de Meyer e fingiu que estava fazendo um levantamento sobre o perfil dos advogados emergentes nos Estados Unidos, afirma o juiz do caso. Quando confrontados sobre as ligações do investigador, os advogados de Kalanick inicialmente negaram que a empresa estava envolvida na confusão. Depois, os advogados do CEO acabaram dizendo que contrataram um investigador de uma empresa chamada Ergo para conseguir informações sobre Meyer.

Entretanto, o Uber negou em documentos judiciais que sabia que o investigador tinha mentido ou revelado sua identidade. O processo alega que o "Uber tem um plano de negócios simples, mas ilegal: fixar preços entre os competidores e fazer cortes nos lucros". Eles argumentam que os motoristas conspiraram com Kalanick para cobrar tarifas selecionadas pelo algoritmo do Uber, com a hipótese de que outros motoristas do serviço fariam o mesmo, até se eles conseguissem melhores preços competitivos por si mesmos.

Por isso, o juiz pediu na terça passada que o Uber apresentasse provas de que não tinha conhecimento das ações do investigador. "Um investigador da Ergo contratado pelo Uber em conexão com este caso fez falsas representações para receber acesso à informações sobre o reclamante e seu conselho, assim dando margem para o risco de perverter o processo de justiça perante a corte", escreveu o juiz.

O juiz também permitiu que o reclamante conduzisse uma investigação, o que obriga o Uber a conceder acesso a comunicações e documentos pertinentes ao trabalho realizado pela Ergo para revisão na corte.

O Uber apelou por um reconsideração do juiz, dizendo que os documentos ofereciam informação privilegiada, mas o juiz rejeitou o pedido.

Pelo visto, essa história vai dar o que falar para o CEO do Uber...

Fonte: The Guardian