Apps móveis estão gastando dados com anúncios que nunca são exibidos ao usuário

Por Redação | 24.07.2015 às 10:47
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Um estudo realizado pela empresa Forensiq apontou que 15% de todos os aplicativos disponíveis para smartphones podem carregar anúncios invisíveis que inflam artificialmente números de audiência e consomem até 2 GB de dados de conexão por dia com imagens e vídeos que, na verdade, nunca são vistos pelo usuário.

Esses aplicativos podem consumir a bateria do aparelho e a largura de banda do plano de dados por meio de informações escondidas que rodam mesmo após o app ser encerrado. As permissões desses apps pedem para acessar configurações desnecessárias para exercer a sua função pretendida, como acesso a informações de localização do usuário ou até mesmo permissão para modificar e apagar a memória.

Pouco mais de 13% dos anúncios veiculados em dispositivos móveis com sistema Android, iOS e Windows Phone ficam escondidos da visão do usuário, tanto que a empresa responsável pela pesquisa conseguiu descobrir 16 bilhões de visualizações de anúncios provenientes de apenas 12 milhões de dispositivos.

"Queríamos mostrar ao público que toda essa fraude é óbvia e dolorosa – e não apenas para os anunciantes que pagam por anúncios que ninguém vê, mas também para as pessoas que usam esses aplicativos em dispositivos com potência minúscula e largura de banda limitada", disse o cientista-chefe da Forensiq, Mike Andrews.

Os dados do estudo foram obtidos por meio do rastreamento do funcionamento interno de troca de anúncios, que nada mais é do que um mercado digital que leiloa o espaço na tela dos dispositivos para anunciantes em tempo real enquanto uma página ou aplicativo está carregando. Esse fluxo de compra e venda de anúncios nas plataformas torna a supervisão dessas transações uma tarefa bem difícil, facilitando a vida dos fraudadores.

Para descobrir quais transações eram feitas de forma ilegal, os pesquisadores criaram algoritmos que caçavam por casos onde os anúncios fraudulentos se destacavam por um comportamento "não humano". Os aplicativos infectados conseguem escapar mesmo com todo o esquema de segurança das lojas de apps, pois funcionam como uma espécie de trojan, que disfarça suas intenções até que consiga entrar no dispositivo desejado.

Os pesquisadores ainda dizem que é difícil atribuir a culpa desses scams a qualquer grupo específico, uma vez que diversas pessoas ao longo do processo estão se beneficiando. Mas eles dizem que os usuários podem tomar algumas medidas relativamente simples para se proteger. Uma delas é ler os comentários de outros usuários sobre um determinado aplicativo antes de baixá-lo, procurando por indícios de uso excessivo de dados ou de energia, por exemplo. Outra dica é desabilitar o acesso de dados em aplicativos que não precisam de internet.

Via Mashable