Aplicativo Social Comics oferece serviço de streaming de HQs e quadrinhos

Por Anderson Nascimento | 28 de Setembro de 2015 às 09h06

Os amantes de HQs e quadrinhos possuem uma nova forma de consumir conteúdo em formato digital. O aplicativo Social Comics foi lançado recentemente com um catálogo com mais de 800 histórias em quadrinhos em formato digital, acessíveis em dispositivos Android e iOS ou no computador via web. O lançamento para Windows ocorrerá em breve, de acordo com a empresa.

O Social Comics possui 14 dias de gratuidade para os novos usuários, oferecendo o catálogo completo de HQs, incluindo obras antigas e inéditas de autores independentes e exemplares das grandes editoras de quadrinhos do país. Após o período de testes, o usuário pagará um valor mensal de R$ 19,90.

Em entrevista exclusiva ao Canaltech, João Paulo Sette, CEO do Social Comics, conta que o diferencial do serviço não está apenas em criar uma plataforma de assinatura de quadrinhos, mas sim "na habilidade do trabalho realizado junto aos artistas, às empresas do ramo e, principalmente, aos fãs de HQs". Para isso, o aplicativo conta com a possibilidade dos usuários fazerem comentários e recomendações de obras lidas para outros usuários, tornando-se uma espécie de rede social entre os próprios leitores. As atividades realizadas dentro do app também podem ser compartilhadas no Facebook e no Twitter.

Grande parte das HQs disponibilizadas no serviço são de domínio público, como obras revitalizadas e digitalizadas da Era de Ouro norte-americana. Além disso, a plataforma também oferece espaço para trabalhos de autores independentes, que não precisam pagar nenhuma taxa de adesão para a publicação de quadrinhos no aplicativo. “Se um autor ou grupo de artistas não conta com editora, nosso serviço funciona como uma ferramenta de divulgação e rentabilização de seu trabalho criativo”, diz João Paulo.

Uma função interessante voltada para autores e editores que contribuem com o app é a ferramenta de Business Intelligence, que permite que artistas e empresas tenham acesso às informações de leitura dos usuários de maneira detalhada. Estes dados ajudam autores a tomarem decisões estratégicas, seja de conteúdo ou de negócios, para melhorar a qualidade do trabalho e atrair novos leitores.

Outro diferencial do Social Comics é o seu sistema de monetização. Os donos das propriedades intelectuais existentes no serviço recebem de acordo com as páginas lidas e não por título, algo que, segundo a própria empresa, é inovador nesse mercado. "Eu particularmente acredito que a remuneração por página é, além de justa, estratégica. Isso por que, para o detentor do conteúdo, ele sabe exatamente quais páginas são mais rentáveis ou não. Consegue saber também exatamente onde pode existir uma falha de roteiro onde as pessoas deixaram de ler seu quadrinho, tudo através do nosso sistema de gestão", comenta Sette.

Social Comics

A empresa também está estudando novas maneiras de monetizar o serviço que ainda não foram exploradas no universo dos quadrinhos. "Se o personagem vai dirigir um carro no quadrinho, por que esse carro não poderia ser de uma marca existente?", explica o CEO. "Não vamos limitar os ganhos dos autores e editoras nas leituras das páginas. Aos poucos queremos ensinar a esse mercado a como se comportar comercialmente e ao mesmo tempo oferecer para os conteúdos estratégicos nessas outras formas de remuneração através do licenciamento".

Sobre o mercado de quadrinhos e o serviço de streaming de HQs no Brasil, Sette acredita que esse modelo veio para ficar, ainda que os quadrinhos digitais e físicos devam conviver durante muito tempo sem dificuldades. "Se já existia streaming para vídeo, para áudio, por que não para quadrinhos? Foi essa pergunta que fizemos quando começamos a projetar o Social Comics dois anos atrás", explicou.

"Acredito, inclusive, que o digital vai estimular os quadrinhos físicos. Com uma plataforma como o Social Comics, o fato dele ler um quadrinho independente não muda em nada no bolso do cliente, então é muito mais fácil ele dar a chance a esse nicho e, se o quadrinho for realmente bom, com certeza ele vai querê-lo na prateleira. Assim a gente estimula o mercado, dá chance aos pequenos e ajuda em mais um canal de distribuição sem limitação para os grandes. Ou seja, todos ganham nessa relação", explicou João Paulo sobre a expectativa da plataforma movimentar o mercado de quadrinhos no país.

O objetivo do Social Comics é alcançar cerca de 10 mil usuários até o final de 2015. Segundo o executivo, as metas da Social Comics incluem levar o serviço para outros países, incluindo América Latina e Europa, o mais rápido possível. "Preparamos o Social Comics pensando nisso. Porém, primeiro precisamos desenvolver bem o mercado no Brasil e queremos levar esses artistas brasileiros para onde formos", contou.

O aplicativo pode ser baixado gratuitamente na Play Store para dispositivos Android ou na App Store para aparelhos com iOS.

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