Aplicações móveis para o desenvolvimento

Por José Otero | 22 de Março de 2016 às 07h00

Há algumas semanas me convidaram para falar para um grupo de estudantes sobre o impacto das tecnologias sem fio na vida das pessoas. Antes de começar, lhes perguntei o que vinha em suas mentes ao escutar o termo banda larga móvel.

As respostas não me surpreenderam muito e eu poderia resumi-las em dois grandes segmentos. O primeiro inclui todos os serviços e aplicações que têm como finalidade comunicar duas ou mais pessoas. Alguns dos serviços que estão nesta categoria são as aplicações de mensagens, vídeo-chamadas, e-mail e o tradicional serviço de voz. O segundo segmento identificado pelos estudantes agrupa tudo o que se refere ao entretenimento, desde os que incluem interatividade em tempo real entre dois ou mais jogadores, até os jogos mais fáceis como, por exemplo, sudoku. Também havia referências da possibilidade de acessar diferentes plataformas de vídeo tipo Youtube e Netflix pelo celular.

Da minha perspectiva, a lição mais importante da conversa com os estudantes, obtive daqueles serviços e aplicações que não formaram parte das respostas. Quando perguntei sobre a possibilidade de acessar serviços de governo eletrônico, deparei-me com rostos que projetavam ignorância sobre o tema. O mesmo ocorreu quando comecei a explicar que agora é possível concretizar muitos processos como registros, pagamentos e solicitações de certificados para diferentes agências do governo por meio do celular.

A consequência imediata desta falta de conhecimento sobre a existência de serviços do governo eletrônico aos que podem acessar pelo próprio celular é que apenas um número reduzido de pessoas é beneficiado. Outra área de desconhecimento geral são os serviços de telessaúde. Neste caso, a surpresa é menor, pois minha experiência indica que na América Latina nem sequer as pessoas que têm como parte de seu trabalho manejar diariamente informação sobre a implementação de tecnologias de informação e comunicação (TIC) em temas de desenvolvimento, estão familiarizadas com a integração das TIC na oferta de serviços de saúde.

Posso mencionar como exemplo uma conversa que tive há algumas semanas sobre a disponibilidade de telessaúde no México. A pessoa com quem eu falava – autor de múltiplos artigos do setor de telecomunicações local – afirmava que eu estava louco, pois sobre isso não havia nada em seu país. Sua reação não me surpreendeu, pois os esforços que têm sido feitos para comunicar o trabalho realizado em iniciativas de telessaúde não tem obtido êxito junto às principais mídias do país. É por essa razão que localmente há um desconhecimento de afirmações de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao comentar que “O México tem adotado a maioria das ações necessárias para habilitar a implementação de serviços de telessaúde”. Para obter detalhes sobre a informação utilizada pela OMS para julgar a questão da telessaúde no México, basta consultar os documentos sobre o tema publicados pela Secretaria da Saúde durante o passar das décadas.

Também se pode consultar um estudo sobre telessaúde publicado pela Embaixada dos Países Baixos do México, onde se identifica como instituições de governo que contam com iniciativas de telessaúde as seguintes entidades: IMSS, ISSSTE, Pemex, Sedena e Semar. Novamente, a lição que se obtém deste segundo diálogo que muitas vezes as inversões que se fazem para melhorar a oferta de serviços para a cidadania passam desapercebidas por contar com pouca propagação midiática. A mesma propagação que é necessária para que sejam os consumidores os responsáveis em evoluir seu desempenho e alcance.

As redes de banda larga móveis no México, segundo a Telconomia, chegarão a 76,7 milhões de linhas em 2018. Este crescimento representa uma grande oportunidade para a difusão de iniciativas que ajudam o desenvolvimento como governo eletrônico e telessaúde, no entanto também tele-educação e teletrabalho.

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