WhatsApp ajuda adultos a gravarem livros para crianças em abrigos

Por Redação | 14.05.2014 às 08:41
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Os dispositivos móveis chegaram para ficar e isto é um fato: eles facilitam bastante nossa vida, permitindo realizar tarefas fora do computador, jogar videogame, assistir filmes e acessar internet de onde estivermos. O problema é quando a utilização desses aparelhos se torna excessiva, levantando um debate entre médicos, especialistas e usuários sobre o uso massivo de tablets e smartphones.

Mas ideias inovadoras surgem todos os dias para facilitar a convivência com nossos celulares sem que ela se torne um vício. Um desses projetos é do publicitário Pepo Penteado, de 23 anos, responsável por uma iniciativa para ajudar no desenvolvimento de crianças e adolescentes. Trata-se do "Mensagens de Ninar", feito em parceria com a Casa da Criança, que tem como objetivo levar contos narrados por diferentes pessoas até as crianças antes delas dormirem. O diferencial, como informa o site Baguete, é que todas as histórias são gravadas de forma colaborativa pelo WhatsApp.

Para quem não sabe, a Casa da Criança está localizada no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, e atende cerca de 110 crianças entre 0 e 17 anos. Muitos desses jovens foram acolhidos pelo abrigo em período de inverno ou estão no aguardo de uma decisão judicial para definir qual será seu futuro quando completarem a maioridade.

Foi aí que Penteado teve a ideia de lançar o Mensagens de Ninar em favor de milhares de crianças. O publicitário conta que leu diversas notícias do sistema brasileiro de adoção e percebeu que o processo é "frágil e muito burocrático, levando quase cinco anos para que uma família consiga adotar um filho". De acordo com dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), hoje existem 44 mil crianças e adolescentes vivendo em abrigos e quase 30 mil famílias na lista de espera da entidade, mas apenas 5.500 crianças estão em condições de serem adotadas.

A situação é ainda mais preocupante porque a média mensal de adoções caiu depois das novas exigências legais, aprovadas em 2009, segundo dados da Seção de Colocação em Família Substituta da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal. "Apenas 15% das crianças estão aptas a serem adotadas no Brasil. Então, o que decidi foi pensar no que fazer para que as 85% das crianças, que dependem de decisões judiciais, sintam um pouco de afeto?", questionou Penteado.

O publicitário então descobriu que há programas de apadrinhamento afetivo. Eles não obrigam os interessados a necessariamente ajudar com dinheiro, mas sim em doar seu tempo e um pouco de afeto aos jovens nos orfanatos. Partindo desse princípio, a campanha teve auxílio da agência Mood, que trabalha junto com Penteado para fechar novas parcerias.

De um jeito bem simples, o Mensagens de Ninar funciona da seguinte maneira: em uma pequena cabine, os voluntários leem trechos de livros infantis e enviam como mensagem de voz para o WhatsApp da Casa da Criança. Depois, todas as gravações feitas por pessoas diferentes são unidas e se transformam em um áudio-livro colaborativo que será tocado à noite para as crianças da instituição. Vale lembrar que não há limites para a gravação de voz, o que permite que as pessoas enviem apenas um trecho, uma página ou um livro todo.

Já são sete livros completos narrados por usuários, entre eles João e o Pé de Feijão, Branca de Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos - todos podem ser ouvidos de graça na internet. Por enquanto, participaram da ação as livrarias Saraiva, no Shopping Ibirapuera, e PanaPaná. Segundo a página da campanha no Facebook, outros locais serão anunciados para a gravação de novas histórias.

Penteado afirma que o próximo passo é expandir o projeto para um número maior de usuários, divulgando um número de telefone para que qualquer interessado possa gravar os contos e enviá-los pelo WhatsApp. "É preciso pensar que a realidade de uma criança acolhida é diferente das que têm uma família estruturada. Então, ouvir essas vozes é algo motivador, inovador e não uma situação triste", disse Valquíria da Cruz, coordenadora-geral da Casa da Criança Santo Amaro, ao jornal Folha de São Paulo.

Elo

Um outro projeto que também utiliza o WhatsApp e merece atenção é o Elo, um ursinho que emite mensagens de voz para crianças com diagnóstico de câncer do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, São Paulo. Por conta da quimioterapia e outros medicamentos fortes, as crianças precisam ficar isoladas para evitar que sua baixa imunidade atrapalhe no objetivo do tratamento. Segundo o UOL, as visitas são controladas e apenas uma pessoa de cada vez pode entrar e passar um tempo limitado no local.

Sabendo que as crianças sentem falta de suas famílias ao longo do tratamento, toda a equipe de pediatria do Hospital trabalhou durante meses na criação do brinquedo. Atualmente, a entidade conta com dez ursinhos que são divididos entre os pacientes. Cada um tem um número exclusivo e basta apertar a mão direita do Elo para ouvir as mensagens de voz enviadas pelos parentes, que podem mandar novas gravações a qualquer hora do dia.