Uber quer atualizar o mercado brasileiro de transporte de passageiros

Por Redação | 10.09.2014 às 19:10

Toda a polêmica e a pressão de autoridades e cooperativas de táxi de São Paulo e Rio de Janeiro parece não ter assustado o Uber, serviço cooperativo de marcação de corridas que chegou em junho ao Brasil – muito pelo contrário. Os executivos do serviço estão dispostos a lutar para mudar as leis de regularização do mercado de transportes e trazer mais concorrência a esse mundo, hoje dominado por poucas opções e serviços, muitas vezes, de baixa qualidade.

Para Lane Kasselman, que é porta-voz da companhia para todo o continente americano, trata-se de uma indisposição a encarar essa competição. Falando ao G1, foi assim que o executivo explicou até mesmo o pedido de suspensão emitido pelas autoridades paulistanas, que taxaram o Uber como clandestino e resultou até mesmo na apreensão de veículos que operavam pelo serviço.

O executivo explica que, a cada protesto de taxistas contra a plataforma, mais e mais pessoas se cadastram. Isso seria uma forma de mostrar que a população está em busca de novas opções e não parece satisfeita com os serviços que são oferecidos no momento, caso contrário, não teriam motivo para buscar alternativas. Para Kasselman, o quadro brasileiro precisa de uma atualização e é justamente para isso que serve o Uber.

É fato, porém, que o app vai contra as leis nacionais, que torna o serviço de transporte de passageiros exclusivo das empresas de táxi. Kasselman afirma que a empresa conhecia essas normas antes de chegar ao Brasil, mas diz que o Uber não é contemplado por elas. Para ele, o serviço representa uma nova onda digital, que ainda não existia quando as regras, consideradas arcaicas e antiquadas, foram escritas.

O porta-voz, porém, nega a associação do Uber com um serviço de caronas pagas e afirma se tratar de uma forma de conexão entre motoristas particulares e pedestres que estão seguindo para o mesmo lugar. Ele define o app como uma “alternativa elevada e VIP” aos táxis convencionais, uma vez que o usuário pode selecionar o carro e sabe o que esperar. Além disso, não precisa lidar com dinheiro, uma vez que o próprio software conta com as opções de pagamento.

Sobre a questão da segurança, ponto citado por muitos críticos do Uber, Kasselman também cita a própria funcionalidade do app como motivo. Como não há dinheiro envolvido, ele explica que você não pode ser roubado e que ainda há o monitoramento automático das corridas que evita o clássico ato de taxistas maliciosos, que cobram corridas a mais ou dão voltas para enganar turistas.

Polêmica digital

Os problemas enfrentados pelo Uber são semelhantes aos que encontraram os aplicativos de táxi quando chegaram ao Brasil. Em diversas cidades do país, cooperativas de motoristas fizeram protestos e forçaram a tomada de medidas contra os softwares, que dispensam intermediários e colocam o passageiro em contato direto com os taxistas.

Em Curitiba, por exemplo, a administração municipal chegou a multar e apreender as licenças de motoristas que estavam utilizando os apps como uma maneira de trabalhar sem afiliação às cooperativas. A questão envolveu até mesmo o prefeito Gustavo Fruet que, pelo Twitter, demonstrou apoio aos novos serviços.

A diferença é que, nesse caso, o buraco é um pouco mais embaixo. Enquanto os aplicativos de táxi trabalham com motoristas licenciados e veículos marcados e reconhecíveis, o Uber e outros serviços do tipo abrem as portas para, virtualmente, qualquer pessoa trabalhar nesse segmento. É essa a razão pela qual as plataformas têm levantado tanta polêmica, mesmo com todas elas garantindo a confiabilidade e idoneidade de seus serviços.