Escritório do Uber na França é invadido pela polícia em busca de documentos

Por Redação | 19 de Março de 2015 às 07h03

A Europa é um dos principais territórios do Uber e também onde a empresa está enfrentando a maior resistência por parte de empresas de transporte, cooperativas de táxi e governos. Em mais um episódio recente de uma briga que já se estende desde meados do ano passado, a polícia francesa teria realizado uma operação de busca e apreensão nos escritórios do serviço em Paris, tomando posse de smartphones e documentos relacionados à operação dele.

O motivo por trás de tudo isso seria o UberPOP, opção disponível na plataforma para permitir que usuários com caminhos e destinos em comum possam compartilhar caronas e seguirem em um mesmo veículo, pagando valores ao motorista pelo percurso realizado. A alternativa é aberta a todos os usuários que possuam um carro e é justamente a falta de uma licença para operar um veículo comercial que está no centro de toda a guerra entre a empresa e o governo francês.

Oficialmente, o UberPOP está banido do país desde o dia 1º de janeiro, apesar de todas as outras operações da companhia ainda estarem permitidas. A proibição aconteceu após uma forte pressão dos taxistas, que entraram em greve e bloquearam as principais avenidas de Paris em um protesto contra o que julgavam ser uma competição desleal com motoristas particulares. Ainda assim, a empresa continuava disponibilizando a plataforma para seus usuários e muitos deles, mesmo sabendo da proibição, seguiam operando o serviço, no que as autoridades consideraram um flagrante desrespeito às leis.

Desde o banimento da opção, de acordo com a polícia, 250 motoristas já teriam sido flagrados trabalhando com o serviço de compartilhamento de caronas, tendo recebido multas por isso. Em declarações, o diretor geral do Uber para a França, Thibaud Simphal, disse que toda a situação, inclusive a própria batida policial, é uma reação desproporcional ao caso, com bases legais duvidosas. Segundo ele, a própria recusa dos usuários em aceitar os pedidos do governo é uma prova de que a proibição não tem razão de ser.

Segundo as leis do país, todos os motoristas que operarem serviços comerciais de transporte de passageiros precisam ter uma licença específica e um seguro obrigatório para o caso de acidentes. Por outro lado, o Uber argumenta que o POP nada mais é do que uma ferramenta que propicia um maior escopo em uma atividade que já é feita por muita gente que, por exemplo, trabalha em um mesmo local e também reside por perto. Assim, caronas e a divisão de gasolina já existem, a diferença é que, agora, ela está organizada em um aplicativo.

Além da França, o UberPOP não pode operar em Madri, na Espanha. Os governos da Itália, Alemanha, Dinamarca e Noruega também já demonstraram preocupação quanto à falta de checagem e cadastro dos motoristas da plataforma, enquanto a Holanda chegou a banir completamente as operações da companhia em todo seu território. Na Bélgica, o governo estuda abrir uma queixa-crime contra o Uber.

A batalha segue em frente, mas, aparentemente, não está sendo capaz de frear o Uber como gostariam algumas cooperativas de transporte. Na mesma medida em que se acumulam as polêmicas, também cresce o total de investidores e os números de financiamento obtidos pela empresa de transportes de passageiros. Recentemente, inclusive, ela firmou uma parceria com a gigante chinesa Baidu para integrar seus serviços de busca e mapas à plataforma, facilitando sua entrada no mercado asiático.

No Brasil, o Uber opera nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, onde também enfrenta a pressão de órgãos regulatórios e cooperativas de táxis.

Com informações do Le Nouvel Observateur

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