Apps de táxi ocultarão número de celular após denúncias de assédio a mulheres

Por Redação | 20.03.2015 às 07:33 - atualizado em 20.03.2015 às 13:29
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Os smartphones estão aí para facilitar nosso dia a dia, até mesmo na hora de pedir um táxi. Mas a prática tem dado dor de cabeça para muita gente, especialmente para as mulheres, que acabam assediadas por alguns taxistas. Acontece que, toda vez que um usuário chama um táxi usando aplicativos para aparelhos móveis, o número do celular fica armazenado no telefone do motorista e muitos se aproveitam da situação para assediar as passageiras.

Com o aumento no número dessas ocorrências, os apps Easy Taxi e 99Taxi anunciaram que vão lançar uma atualização para permitir que os usuários possam bloquear seus números de telefone e, com isso, evitar que os taxistas façam ligações após as viagens. Será preciso apenas marcar ou desmarcar uma opção nas configurações do app para permitir ou não a visualização do número de celular.

As empresas já cogitavam disponibilizar uma opção para o bloqueio, mas demoraram a implementá-la devido aos altos custos da operação. Dennis Wang, presidente-executivo do Easy Taxi, disse que já tinha conhecimento sobre esse tipo de prática dos motoristas, "mas que reclamações sobre o assunto não são recorrentes". Criado por um brasileiro, o Easy Taxi é o aplicativo mais conhecido desse mercado e hoje atua em 30 países.

Agora que a tecnologia ficou mais barata, Wang afirma que o app ganhará a funcionalidade de bloqueio daqui a dois ou três meses. Nesse período, enquanto o sistema não é liberado, usuários que desejam ocultar seus números devem enviar um e-mail para telefone@easytaxi.com.br. Quando o mecanismo for lançado oficialmente, a companhia vai adotar uma ferramenta criada pela americana Wilio, em que o motorista ou o usuário liga para uma central, que por sua vez retransmite a chamada.

Já a 99Taxi, que tem 80 mil taxistas cadastrados, anunciou que lançará já no mês de abril um update para o aplicativo que adicionará a opção de ocultar o número. Além disso, a empresa afirma que criará outros canais de comunicação do taxista para o passageiro para eliminar a necessidade de ligar ou saber o número - tudo através do próprio aplicativo. O Uber, que conecta usuários com motoristas parceiros, já possui um recurso que conecta o passageiro ao motorista sem revelar o número de telefone de um ao outro.

Denúncias

Parte dos investimentos das empresas donas de aplicativos para chamar táxi veio após uma petição feita no Brasil por meio do site Change.org. O pedido, que já recebeu mais de 27 mil assinaturas, foi destinado especificamente ao Easy Taxi e dizia que mulheres estavam sendo asseadias pelos motoristas por mensagens de texto e WhatsApp após as corridas.

"Normalmente, os relatos seguem a mesma linha: a menina pega o táxi e depois recebe mensagens do taxista dizendo que elas são lindas, que querem sair com elas e outras de mais baixo calão. Isso só parava quando elas ameaçavam denunciar", comenta a analista de sustentabilidade Ana Clara Leite, de 22 anos, autora da campanha. A própria Ana Clara diz que já sofreu assédio dentro dos táxis, mas não com corridas combinadas por meio dos apps. Ela resolveu criar a petição após ouvir relatos sobre o tema e ler reportagens publicadas na internet sobre o assunto. Foi quando a jovem começou a receber relatos de meninas que sofreram com o problema.

Em casos de denúncias, os profissionais são suspensos por tempo determinado ou banidos do sistema dos aplicativos. Hoje, cerca de 15% dos 110 mil motoristas em operação no Brasil que usam o Easy Taxi cumprem ou já cumpriram suspensão.

Via Folha de São Paulo