Aplicativo de anonimato Whisper estaria espionando usuários, afirma The Guardian

Por Redação | 20 de Outubro de 2014 às 09h50

Os aplicativos que mantêm o nome dos usuários em sigilo para permitir que eles postem quase qualquer conteúdo estão na moda em diversos países. Após o grande sucesso do Secret, um outro app que agradou usuários foi o Whisper, quer permite compartilhar conteúdos sem ter a identidade revelada. O que não era esperado é que, segundo o jornal britânico The Guardian, o aplicativo estaria rastreando diversas informações dos seus usuários.

Segundo a publicação, os donos do app e o jornal iniciaram no começo do ano uma conversa para firmar uma parceria editorial onde o aplicativo seria usado para buscar possíveis fontes para matérias. No entanto, quando o jornal se deu conta das intenções do Whisper, encerrou as negociações e ainda revelou tudo publicamente.

“Equipados com uma senha extremamente simples, nos foi dado acesso à vasta biblioteca da empresa com textos e fotografias e, em muitos casos, a localização dos autores. Os desenvolvedores criaram uma ferramenta de análise de back-end para realizar buscas refinadas no banco de dados e a mais poderosa delas determina a localização” relatou o jornal.

As denúncias afirmam que o aplicativo não apenas armazenava os segredos compartilhados pelos usuários como também tinha como definir a localização de onde a mensagem teria sido encaminhada. Os posts antigos, incluindo os deletados, eram armazenados com data, hora e localização, sendo acessíveis para os funcionários da empresa. A imagem abaixo mostra a interface de funcionamento do software interno de monitoramento do app:

Whisper rede

Nem mesmo os usuários que configuravam o app para desativar a localização estavam protegidos. Nestes casos, o Whisper indicava uma localização aproximada.

A reportagem ainda garante que o editor-chefe do Whisper, Neetzan Zimmerman, possui uma equipe que monitora os usuários do aplicativo que poderiam ser fontes importantes para jornais, como funcionários de grandes empresas e militares norte-americanos.

No Twitter, o Whisper negou todas as acusações do The Guardin e afirmou que o jornal “vai se arrepender” pela matéria. Zimmerman afirmou que a reportagem mostra "falsidades" e que ele vai "desmascarar todas elas". Ao Valleywag, ele reforçou que a denúncia é “100% mentirosa” e que a empresa “não tem informações pessoais identificáveis de nenhum usuário”.

Ele explica que o software interno de monitoramento é um recurso presente no aplicativo e que foi removido devido a falta de interesse dos usuários, mas foi mantido como uma ferramenta interna.

O anonimato de alguns aplicativos tem agradado usuários, no entanto é difícil prever até que ponto as identidades vão continuar secretas. No Brasil, o Secret teve problemas neste sentido, sendo obrigado a divulgar identidades de usuários que fizeram publicações com injúrias. Agora resta aguardar para saber se o Whisper conseguirá provar que as acusações do The Guardian são realmente falsas ou não.

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