Alunos do ITA criam aplicativos que auxiliam crianças com dislexia

Por Redação | 12.10.2012 às 15:15

Quando o assunto é educação, fica complicado encontrar nas lojas virtuais de aplicativos algum que seja voltado às crianças brasileiras, ou seja, que tenha bom conteúdo didático totalmente em português. Estudantes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) estão contribuindo para oferecer aplicativos de qualidade e em nosso idioma para crianças com transtorno de aprendizagem. Saiu no site da revista Veja.

A iniciativa é do Instituto ABCD (iABCD), que auxilia a identificar e tratar distúrbios como dislexia, discalculia e transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). O Instituto propôs ao grupo ITAbits, composto por alunos da instituição em São José dos Campos - SP, o desafio: foram montadas três equipes para desenvolver aplicativos que auxiliassem no aprendizado dessas crianças. A que desenvolvesse o melhor aplicativo, seria premiada com uma visita ao Instituto de Tecnologia de Massachussets, o MIT.

O iABCD ofereceu supervisão técnica aos jovens desenvolvedores, já que eles teriam que entender um pouco de pedagogia e técnicas de ensino e assimilação. E o resultado foi mais que satisfatório. Segundo Mônica Weinstein, presidente do iABCD, "foi muito bom ver jovens tão talentosos engajados a trabalhar pela educação".

Os vitoriosos foram Éric Conrado, Márcio Paiva e Vitor Gonçalves, do segundo ano de engenharia da computação. Eles criaram um aplicativo chamado Aramumo, que funciona de maneira semelhante a um jogo de palavras cruzadas. Para assimilarem e fixarem o aprendizado de ortografia e novas palavras, as crianças precisam preencher as lacunas com sílabas, ao invés de letras. Cada sílaba fica flutuando em bolhas de sabão espalhadas pela tela, e basta o jogador escolher a sílaba correta para formar a palavra ou completá-la.

Aramumo

Tela do Aramumo (Reprodução)

"Nosso aplicativo ajuda no desenvolvimento e treinamento de ao menos quatro habilidades: separação silábica, ortografia, reconhecimento e memorização de sons e coordenação motora", comenta Éric. "Eu nunca havia experimentado unir tecnologia e educação e foi muito gratificante ver que o nosso trabalho deu certo. Daqui para frente, quero continuar nessa área".

Todos os jogos foram testados por crianças em tratamento no Centro de Triagem Neonatal e Estimulação Neurossensorial Dr. Tatuya Kawakami (CTNEN), em São Caetano do Sul - SP. Os outros títulos resultantes do concurso foram o Arqueiro Defensor, que trata de associação entre ortografia e palavras pronunciadas, e Mimosa e o Mundo das Cores, que auxilia na fixação de palavras por meio de um quebra-cabeças.

O jogo Aramumo e os outros dois que participaram da competição já podem ser baixados por usuários da plataforma Android.