Para John McAfee, antivírus “estão mortos”

Por Redação | 04.09.2015 às 09:17
photo_camera Foto: Divulgação

Em mais uma série de declarações polêmicas, John McAfee voltou a bater em sua antiga empresa que, desde 2010, faz parte da Intel e não possui mais nenhum tipo de envolvimento próprio. Falando durante uma sessão de perguntas e respostas no Reddit, ele foi categórico: “os antivírus estão mortos”, são baseados em tecnologias antiquadas e há muito tempo deixaram de ser relevantes em termos de proteção ao usuário.

Paranoico com segurança e sempre comentando sobre como agências do governo norte-americano gostam de persegui-lo, McAfee disse não utilizar nenhum tipo de software de proteção. O caminho para se manter seguro? Comprar novos celulares a cada duas semanas e ficar mudando constantemente de sistema operacional, dificultando a realização do rastreamento que ele acredita ser alvo por parte da CIA e do FBI, por exemplo.

No dia-a-dia, o especialista diz não ter uma plataforma preferida, mas que usa todas elas. Em termos de usabilidade, porém, ele disse gostar mais do Android. Ao comprar um aparelho com o sistema – ele citou a Samsung como uma marca de preferência –, porém, ele afirma fazer o processo de root, restringindo a capacidade de atualização automática dos aplicativos e também todo tipo de bloatware instalado, bloqueando-o novamente logo depois e permanecendo com um dispositivo protegido. Isso tudo pelo menos ao longo das próximas duas semanas, até repetir o processo todo novamente.

As preocupações de McAfee podem até parecer exageradas, mas refletem uma ideia cada vez mais comum entre os especialistas – nada é seguro de verdade e a maior proteção possível está no próprio usuário. Novas ameaças, como o vazamento de dados ou o controle remoto dos aparelhos por hackers não podem ser combatidas por antivírus convencionais e dependem única e exclusivamente do utilizador tanto para permitir a infecção quanto para resolução dela.

McAfee disse ter sentido isso na pele recentemente, quando informações pessoais suas vazaram em meio aos dados roubados por hackers no serviço de encontros extraconjugais Ashley Madison. Ele não falou especificamente sobre o caso, mas disse que a melhor solução para todos os afetados é ser sincero com os parceiros e contar toda a história antes que eles descubram pela imprensa ou por terceiros.

Nos bastidores

O polêmico especialista também falou mais sobre os motivos que o levaram a abandonar sua empresa e que fomentam muitas de suas críticas atuais contra ela. Basicamente, com o crescimento da McAfee, ele acabou se vendo em uma posição mais de “contador” e menos de desenvolvedor, que é o que ele sabe fazer de verdade e que deu origem à toda a estrutura.

No começo, lembra ele, eram apenas quatro pessoas trabalhando e gerando, em certo ponto, US$ 10 milhões ao ano. A necessidade de crescer, então, veio com investimentos externos e a criação de departamentos de vendas e marketing, além de um aumento na equipe de desenvolvedores. Em determinado momento, explicou, a companhia chegou a ter uma taxa de um programador contratado por dia para dar conta de todo o trabalho.

Enquanto isso, John McAfee passou de trabalhar praticamente sozinho a ter “mais de mil chefes” e dividir seu tempo entre reuniões, entrevistas, anúncios de resultados financeiros e outras preocupações burocráticas. Para ele, isso fez com que a companhia se tornasse lenta e completamente destacada da realidade do mercado, além de ineficaz no combate às ameaças que deveria enfrentar.

No fim das contas, ele ficou satisfeito de ter saído, e mais ainda quando a McAfee deixou de portar seu nome para se tornar Intel Security. Para ele, o antigo antivírus líder do mercado se tornou o pior software da indústria da tecnologia e que, se dependesse dele, todos os responsáveis por isso seriam demitidos. Como ele não está mais envolvido, fica feliz por não ter nem mesmo seu sobrenome associado ao problema.

Fontes: Reddit, The Next Web