AVG admite vender dados de usuários para anunciantes

Por Redação | 21 de Setembro de 2015 às 12h00

Para qualquer desenvolvedora de software, o lançamento de um produto gratuito é, ao mesmo tempo, uma solução e um problema. O primeiro por permitir que seus aplicativos se proliferem por aí de forma livre e acabem caindo nas mãos de milhares de usuários. O segundo aspecto, porém, vem como efeito direto do primeiro – fica cada vez mais difícil sustentar esse crescimento. A alternativa? Investir em publicidade.

Foi isso que fez a AVG, fornecedora de um dos antivírus gratuitos mais utilizados do mundo. E a empresa, agora, veio a público admitir que, sim, vende dados de seus usuários para fins de propaganda em seus produtos, mesmo que de forma anônima, tornando impossível a identificação de cada um deles. A revelação veio em uma atualização de seus termos de uso, publicada na última semana.

Porém, o que diferenciou o anúncio feito pela AVG foi a maneira como a qual a companhia veio a público. Em vez de falar de maneira complicada ou renegar a “novidade” a textos confusos, ela veio a público de forma amigável, com vídeos e infográficos que mostram exatamente quais são as informações coletadas e o que exatamente é feito com elas.

De acordo com a companhia, a coleta de telemetria vem desde os primórdios do lançamento do software. As informações de utilização e sistema eram coletadas como uma maneira de melhorar o funcionamento da própria aplicação, além de facilitar a localização de bugs, correção de problemas e otimizar o processo de atualização.

Todo esse conjunto de informações é obtida de maneira anônima, sendo impossível identificar os usuários por meio delas. Com a chegada de aplicativos para celular e atualizações que tornaram as soluções de segurança mais conectadas, outros dados também passaram a ser coletados – modelos de aparelhos, sistemas operacionais, idioma, aplicativos instalados ou configurações. Mais uma vez, tudo sem a identidade do utilizador.

É também esse bolo que constitui a maior parte do que é compartilhado com anunciantes. Para a AVG, essa é a melhor maneira de garantir a continuidade de sua oferta gratuita de soluções ao mesmo tempo em que se obtém o financiamento necessário para que as operações continuem. É uma prática comum, aponta ela, utilizada principalmente no mundo mobile e de forma bem-sucedida.

O problema, porém, é o restante da comunicação. Segundo o AVG, outros dados mais específicos dos usuários também são coletados – nomes, e-mails, endereços de IP, IDs de dispositivos, cookies e históricos de internet, além de informações de pagamento no caso daqueles que pagam pelas soluções de segurança. E é aqui que está o grande nó da questão.

A regra geral é que tais dados jamais são compartilhados. O que causou a revolta de muitos usuários, porém, foi o fato da AVG admitir também que, em muitos casos, utiliza essas informações para fins de publicidade, anonimizando os dados obtidos e os incluindo em meio a pacotes que contêm informações de telemetria para permitir um melhor alcance de propagandas e também ofertas mais direcionadas aos pagantes.

A alternativa, aqui, é a mesma de sempre. Segundo a empresa, o consentimento quanto ao compartilhamento de informações está nos termos de uso de seus produtos e, pelo menu de configurações, os usuários podem realizar algumas alterações no que é coletado e enviado para os parceiros. Bloquear esse processo inteiramente, porém, é impossível, já que ele é parte integrante da oferta gratuita das soluções de segurança.

Fica, como sempre, a cargo de cada usuário escolher se vale a pena “pagar” desta maneira pelo fornecimento de um serviço gratuito. A AVG não se pronunciou sobre as críticas recebidas ao longo da última semana.

Fontes: AVG, Slash Gear

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