Project Mainline | Entenda o que vai agilizar as atualizações do Android

Por Rafael Arbulu | 08 de Maio de 2019 às 15h50
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O Google I/O foi palco de inúmeros anúncios feitos pela Google na data de ontem (7), mas um deles acabou se destacando bastante por tratar de um problema que todos os usuários Android acabam enfrentando: a demora para receber novas atualizações de segurança do sistema operacional.

Muito disso é culpa das fabricantes dos aparelhos, que controlam a disponibilidade desses updates, pois, por mais que todos se valham do Android, cada uma dessas empresas “edita” o sistema para vendê-lo como uma versão própria sua. É por isso que um smartphone da Samsung possui algumas atribuições de sistemas diferentes de um aparelho da LG ou da Sony, por exemplo.

Com base nessa demora, a Google anunciou ontem o Project Mainline, uma nova empreitada que busca acelerar o ritmo de atualizações de segurança por meio da disponibilização delas dentro da Play Store, ao mesmo tempo em que devolve à Google um pouco do controle sobre esses updates.

Mas o que é esse Mainline, afinal?

Mainline deve chegar junto com o Android Q no segundo semestre deste ano

Para entender o projeto anunciado pela Google, é preciso um pouco de contexto: a Google vem tentando combater a fragmentação de seu sistema operacional desde o I/O de 2011, quando anunciou a Aliança de Atualização do Android (Android Update Alliance, na nomenclatura original). À época, a ideia era objetiva: firmar parcerias com operadoras e fabricantes para providenciar atualizações de sistema operacional mais velozes e dinâmicas.

Não deu certo. E ninguém sabe dizer o motivo: com a exceção de seu anúncio durante o evento há oito anos, ninguém sabe o que de fato houve, que não tivemos novidade alguma sobre o projeto, ao ponto de a imprensa especializada publicar artigos perguntando à Google o que havia acontecido.

Anos depois, em 2017, veio o Project Trebble, novamente com o objetivo de acelerar e dinamizar as práticas de atualizações do sistema operacional. Aqui, tivemos resultados bastante positivos, apesar do início mais devagar: isso porque, mesmo com a participação das fabricantes sendo opcional, o Trebble mudava todo o processo de atualização, envolvendo não apenas patches de segurança, mas o sistema operacional inteiro.

Desde a chegada do Android 9.0 (Pie), o compromisso com o Trebble tornou-se obrigatório, e hoje as empresas que usam o Android têm que, por obrigação, assinar termos que as forçam a prover atualizações de sistema em períodos mais velozes. Com o crescimento da linha de smartphones Pixel, da própria Google, isso incentivou ainda mais o restante da indústria a aprimorar seus passos de segurança.

Entretanto, mesmo isso não se provou suficiente: enquanto a linha Pixel passa por updates a cada mês ou mês e meio, aparelhos de outras fabricantes geralmente ficam todo um trimestres sem ver patches instalados. Desnecessário dizer, isso torna a maioria dos dispositivos mais vulneráveis, por mais tempo.

Então isso nos trouxe ao…

...Project Mainline.

Basicamente, o anúncio feito ontem é o recado da Google para as fabricantes: “estamos tomando as atribuições de segurança das mãos de vocês e assumindo essa responsabilidade nós mesmos”.

Pelo Mainline, a ideia é que a própria Google forneça as correções e atualizações de segurança por meio da Play Store, o que, em teoria, se traduz no usuário não ter mais que esperar meses a fio por atualizações de defesa do dispositivo que tem à mão. No papel, a ideia é ótima. Na prática, estamos bem certos de que também será assim.

A Google vai disponibilizar atualizações de segurança para aparelhos Android por meio da sua Play Store, tirando essa responsabilidade das fabricantes

Mas, como tudo na vida, há um “porém”: o Project Mainline só será válido a partir do Android Q e versões subsequentes do sistema operacional. Em outras palavras, se você já estava se empolgando com a ideia, é importante saber que terá que esperar pela chegada da versão do Android cujo beta começou também durante o Google I/O (veja lista dos primeiros aparelhos mais abaixo).

Mais além, é importante que suas expectativas não sejam altas demais: a Google não vai entregar atualizações completas de sistema, ou seja, você não vai baixar o Android Q pela Play Store. Nessa parte, as operadoras e fabricantes ainda vão deter o controle, provavelmente para que elas personalizem versões posteriores do sistema para atualizar suas próprias experiências.

No que vai caber à Google, porém, a empresa diz que será capaz de trabalhar em cima de 12 “módulos”, que, segundo ela, nada mais são do que pequenas partes que compõem o sistema operacional

Então, só no Android Q? E quando ele chega?

Segundo especialistas, a nova versão do Android deve ser liberada pela Google entre agosto e setembro, mas isso é especulação com base no calendário de anos anteriores. A empresa ainda não deu nenhuma previsão oficial para o Q.

O que a Google deu, porém, foi o aval para que os betas do Android Q fossem disponibilizados durante o Google I/O de ontem. A lista de aparelhos inicialmente compatíveis segue abaixo, mas há uma má notícia: essa é a versão beta 2, voltada a desenvolvedores e recheada de apps em versões não finalizadas. Se você for um consumidor, talvez seja melhor esperar a chegada de versões beta mais estáveis.

Fonte: The Verge; How to Geek

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