Huawei pode substituir o Android até o segundo semestre de 2020

Por Felipe Demartini | 16 de Novembro de 2019 às 20h00
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A Huawei cansou de esperar. De acordo com seu vice-presidente, Vincent Pang, a empresa já está em fase de discussões sobre os planos para o futuro próximo, envolvendo, principalmente, o uso do Harmony OS - seu próprio sistema operacional mobile - nos smartphones a serem lançados no ano que vem. A ideia da fabricante, segundo ele, é que uma decisão seja tomada em, no máximo, nove meses, a tempo da chegada dos grandes topos de linha do segundo semestre.

O tempo urge já que, de acordo com Pang, o lançamento do Mate 30 foi “perdido”. Em jogo, está a liderança no mercado de smartphones e também os números e a saúde financeira da própria empresa, enquanto ela aguarda uma possível liberação do governo dos Estados Unidos para que possa realizar negócios com empresas americanas, o que inclui o Google e todos os sistemas que envolvem a plataforma Android.

Pang não foi longe no assunto, mas o fato de considerar o lançamento do Mate 30 como perdido já demonstra a conclusão a que a empresa chegou sobre a performance de seu primeiro grande aparelho após o banimento. O modelo chegou às lojas ainda rodando o Android, mas em uma versão sem os serviços do Google, o que acabou resultando em funcionalidades reduzidas e, principalmente, menos acesso aos aplicativos, já que a Play Store não podia ser utilizada.

A ideia da Huawei, então, é criar um ecossistema próprio apoiado na ampla base de clientes que possui, principalmente, na China. Tanto que, para o vice-presidente da companhia, o Harmony OS não vem como um substituto para o Android, e sim, como a nova geração do sistema operacional, uma fala que demonstra, também, a ambição de ver a plataforma rodando em outros dispositivos a serem lançados.

A fala também representa uma mudança de postura já que, nos últimos meses, a Huawei vinha mantendo uma abordagem cautelosa, afirmando não desejar substituir o Android, nem tem planos de utilizar o Harmony OS em um smartphone. Tudo mudou, claro, quando os números de vendas deixaram de ser satisfatórios em um segmento que é visto como a menina dos olhos da Huawei. O principal afetado é o movimento da fabricante fora da Ásia e, principalmente, na Europa, para onde ela deseja expandir de forma a solidificar a liderança no segmento.

Ao mesmo tempo, o executivo demonstra certo temor em seguir adiante com a mudança de sistema operacional. Na visão de Pang, a Huawei é plenamente capaz de sobreviver se entregar aos clientes atuais o mesmo nível de experiência a que eles já estão acostumados, ainda que em uma nova plataforma. Entretanto, na visão dele, nenhuma companhia deseja sobreviver, e sim, prosperar, o que torna uma substituição do Android pelo Harmony OS um recurso arriscado.

Enquanto isso, o governo americano permanece afirmando que as permissões para que empresas trabalhem com a Huawei devem começar a ser emitidas em breve, com esse momento sendo aguardado por muitas há meses. De acordo com Wilbur Ross, secretário de comércio do governo dos EUA, 260 pedidos de exceção desse tipo já foram recebidos e todos serão analisados individualmente antes de uma liberação, que ainda não tem data para começar a acontecer.

A Huawei teve seu banimento aplicado em maio, quando uma ordem do presidente Donald Trump proibiu empresas com atuação nos Estados Unidos de negociarem com ela devido a indícios (nunca provados) de relação com o governo chinês e suas operações de espionagem. A fabricante sempre negou tais alegações e disse que a proibição tem intenções políticas.

Fonte: Business Insider

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