Google está sendo investigada por rastrear usuários Android sem consentimento

Por Felipe Demartini | 16 de Maio de 2018 às 11h10
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A Google está enfrentando mais uma investigação sobre suas práticas, desta vez movida pelo governo australiano. A Comissão de Competição e Defesa do Consumidor do país deseja entender exatamente como a companhia trabalha com os dados dos usuários do sistema operacional Android e, principalmente, de que maneira essa coleta de dados pode representar uma violação de privacidade.

O inquérito teve origem em uma declaração que teria sido ventilada pela Oracle à imprensa. A companhia acusou a Google de continuar rastreando a localização dos usuários de Android quando o recurso referente a isso está desabilitado no smartphone e mesmo quando o aparelho está sem cartão SIM ou desconectado. As informações seriam transferidas para servidores da companhia no momento em que o dispositivo volta a ter conexão, seja por meio de redes móveis ou Wi-Fi.

Após isso, as afirmações foram repetidas pela empresa em um depoimento, justamente, à Comissão de Competição e Defesa do Consumidor do governo australiano. Segundo a Oracle, cerca de 1 GB de dados por usuário estaria sendo enviado aos servidores da Google, com o próprio utilizador pagando os custos de transferência de tudo isso, seja em seus planos móveis ou com a utilização de redes domésticas. Com isso, a estimativa é de que centenas de milhões de dólares estariam sendo gastos pelos consumidores apenas pelo envio de informações de telemetria à gigante.

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As acusações motivaram a abertura do inquérito que, agora, vai avaliar o funcionamento dos serviços de localização do Android e de que maneira essas informações são compartilhadas remotamente com a desenvolvedora do sistema operacional e empresas não ligadas a ela. O governo australiano também pediu explicações oficiais à Google, que se pronunciou oficialmente sobre as palavras da Oracle, mas não confirmou se já atendeu às solicitações governamentais.

Em sua declaração sobre o assunto, a Google taxou as afirmações da Oracle como uma jogada comercial e não um relato baseado em fatos. A empresa admitiu receber informações de localização dos usuários, mas disse que faz isso de forma anônima, sem que as informações possam ser ligadas aos utilizadores originais.

Apesar disso, a gigante das buscas afirmou ser totalmente comprometida com a privacidade de seus usuários, não agindo de forma a quebrar esse direito. A companhia ainda ressaltou que todos os dados compartilhados entre os celulares Android e seus servidores podem ser acessados por meio das configurações de conta de cada usuário.

A briga declarada entre Oracle e Google já se estende há anos e foi originada, principalmente, pelo uso indevido de códigos do Java no desenvolvimento do sistema operacional Android. A primeira vitória em um processo que já se arrasta há anos foi a remoção, em 2016, desse tipo de elemento em uma atualização do sistema operacional, mas ainda assim a desenvolvedora de software está atrás da gigante, na justiça, exigindo o pagamento de royalties pelo tempo que sua tecnologia foi utilizada sem autorização na plataforma mobile.

Fonte: Fortune

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