Ex-executivos do Google não parecem empolgados com o futuro do Android

Por Redação | 01 de Junho de 2015 às 16h33

É difícil encontrarmos funcionários de grandes empresas ou multinacionais saindo por aí falando mal dos produtos da marca. Mas com o Google aconteceu algo diferente e até mesmo curioso: alguns ex-funcionários estão dizendo coisas negativas sobre o Android.

O sistema operacional móvel é uma das principais conquistas do Google, afinal ela é a plataforma de computação mais popular do planeta – e é grátis. Por esses e outros motivos, é alarmante quando ouvimos dizer que alguns Googlers estão dizendo coisas depreciativas sobre ele..

O jornal Financial Times perguntou a alguns ex-executivos do Google o que eles acharam da repercussão do Android na conferência anual para desenvolvedores da empresa, a Google I/O, que aconteceu na última semana. Sameer Iyengar, um ex-Googler que agora é cofundador da criadora de apps Beautylish, questionou se o Google estava sendo suficientemente ousado em expor sua visão da tecnologia: "O pensamento de liderança talvez esteja ausente em comparação ao que era no ano passado", disse. Sem dúvidas esse não é o comentário que você espera em resposta da maior apresentação do ano para o Android.

Já Sebastian Thrun, ex-chefe do GoogleX, disse que viu na apresentação que o Android está chegando em uma "fase madura". Apesar de não ser muito claro em sua declaração, Thrun parece estar dizendo que o sistema operacional está apenas preenchendo as lacunas daquilo que já criou, em vez de tentar coisas novas e avançar para níveis mais impressionantes de tecnologia.

Cenário do mercado de smartphones

O plano de fundo dessa história é que desde o lançamento dos iPhone 6 e 6 Plus, da Apple, o sistema operacional da Maçã roubou uma quota do mercado que costumava pertencer ao Android. Essa questão em si não é um problema, a menos que isso sinalize uma mudança profunda na forma como os consumidores enxergam as plataformas Android e iOS.

O sistema operacional móvel do Google costumava ser visto como uma plataforma das massas, afinal é possível comprar um smartphone Android por uma pequena fração do dinheiro que você gastaria na compra de um iPhone. Já na visão dos comerciantes e fabricantes, 80% dos consumidores usavam Android. Nesse cenário, a existência do Android só faz sentido se ele dominar a maioria dos usuários. Mas o iPhone 6 parece estar mudando isso.

Os consumidores estão abandonando os seus dispositivos Android e correndo para os braços da Apple. E não estamos falando apenas dos consumidores com bastante dinheiro, mas também dos consumidores com menos renda, que estão decidindo que vale a pena gastar seu dinheiro extra em um dispositivo como o iPhone.

O gráfico abaixo ilustra bem a situação crescente da Apple, enquanto o Android permanece estável:

Sistema operacional móvel

"Eles [Google] precisam ter certeza de que o Android não degenere e se fragmente em dispositivos de baixo custo", disse Al Hilwa, analista da IDC. Esse cenário de "degeneração" é uma maneira mais rebuscada de dizer que o Android pode acabar como um sistema operacional móvel utilizado apenas em telefones baratos feitos por fabricantes de baixo calibre que não podem mantê-los atualizados para versões mais novas.

A maior fabricante de dispositivos Android high-end, a Samsung, já está apresentando problemas com seus usuários abandonando a linha Galaxy e optando pelos novos iPhones. A fabricante sul-coreana continua sendo a maior fornecedora de smartphones do planeta, com pouco mais de 81 milhões de unidades vendidas no primeiro trimestre de 2015.

Apesar do número ser realmente impressionante, ele representa uma queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia vendeu mais de 85 milhões de unidades. Enquanto isso, a Apple vendeu um total de 61,1 milhões de unidades de iPhones no primeiro trimestre de 2015, superando todas as expectativas do mercado.

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